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Antero Greco
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Torneio manchado

No meio da semana passada, no auge das polêmicas sobre arbitragem, Levir Culpi chegou a dizer que o Brasileiro de 2015 estava manchado. O técnico do Atlético havia feito o desabafo após a derrota para o Atlético-PR, em Belo Horizonte, com decisões erradas do juiz e que prejudicaram a equipe dele. Àquela altura, a distância para o Corinthians subia para 7 pontos.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2015 | 03h00

Dez dias depois, o Galo recuperou terreno, manteve-se na vice-liderança, enquanto o time paulista refugou em dois clássicos – empates com Palmeiras (3 a 3) e Grêmio (1 a 1). A diferença caiu para três pontos, ou seja, mínima. Numa combinação pouco provável, embora não impossível, pode ser anulada nesta rodada.

A conta para que ambos se trombem no topo é simples, na teoria, mas complicada na prática. O Corinthians precisa perder para o Joinville, logo mais, na sessão matinal marcada para o Itaquerão. Depois, à tarde, o Atlético tem de passar pelo Cruzeiro, no Mineirão. Surpresa por aqui, atropelo no duelo mineiro, e lá estarão os dois alvinegros lindos e fagueiros com 51 pontos.

Se não for agora, quem descarta a hipótese de que o encontro no alto da classificação não possa ocorrer dentro de algumas semanas? A briga pela taça está aberta – na verdade, não fechou em nenhum momento, ainda que o inconformismo de atleticanos e torcedores fosse enorme. Bastou o time colocar a cabeça no lugar – e, claro, com a diminuição nos erros no apito – para que reacende esperança de reviravolta.

Suponhamos que ela ocorra, e será muito bacana, perguntas se farão obrigatórias para a primeira entrevista com Levir: “O campeonato continua manchado? Se o Atlético vencer a maratona de 38 jogos, deverá pairar dúvida em torno da capacidade e lisura dele?” Evidentemente que a resposta sensata é “Não”. Assim como não é justo que se empurre para eventual comemoração corintiana a pecha de algo arranjado. Com a devida ressalva, por obra e desgraça de precedentes, de que não haja nenhum escândalo comprovado.

Para tanto, é imprescindível atuação vigilante da CBF – e, dentro de campo, as duas principais equipes da competição têm de cumprir a parte que lhes cabe. Com o alerta de que o Grêmio corre pela raia 8, aparentemente por fora, mas mais ligado do que nunca. Sobretudo se tirar lasquinha do São Paulo, no confronto em Porto Alegre.

A prova de resistência terá capítulo importante neste domingo. No papel, a missão do Corinthians se mostra menos árdua e com riscos menores do que os obstáculos das duas sombras. Por motivos óbvios. Um deles: o Joinville está em penúltimo lugar, com 22 pontos. Outro: jogou na noite de quinta-feira, teve menos tempo de descanso.

Não bastassem as dificuldades que lhe impõe o fantasma do rebaixamento, topa com um Corinthians seguro desde as primeiras rodadas da Série A e reforçado pelo retorno de vários titulares. Tite contará praticamente com o que tem de melhor – e não é pouco.

Favorito, portanto? Sim. Com um porém: pela desigualdade de condições e perspectivas, o Joinville virou franco-atirador. Não tem nada a perder. E, se quiser ater-se a um aspecto positivo, recorra aos três empates por 0 a 0 nas últimas apresentações. Vai que emplaca o quarto?

Toalha jogada. Juan Carlos Osorio capitulou e se deu conta de que o São Paulo no máximo brigará pela quarta colocação. A instabilidade e as limitações da equipe o convenceram de que não pode levantar voos longos, ao menos em 2015. Com todas as dificuldades, adverte: não abrirá mão da convicção de ter uma equipe agressiva no Sul, com os riscos que implica. Visionário ou cabeça dura? Tomara que seja a primeira opção.

Peixe vivo. O Santos também está na sessão das 11, na visita que faz à Ponte Preta. A ascensão é notável, Lucas Lima estará de volta e isso transforma a turma de Dorival Júnior em candidata à vitória. Diria mais: tem a obrigação de bater um rival que desce a ladeira. Será?


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