Trabalhadores em greve ameaçaram parar a França a dias da Copa de 1998

Cenário às vésperas do Mundial 2014 também ocorreu nas cidades da África do Sul, há quatro anos

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 15h45

SÃO PAULO - Greve e protestos às vésperas de uma Copa do Mundo. O complicado cenário no país-sede da competição não é exclusividade do Brasil. Em 1998, a  França enfrentou o mesmo problema a dias da abertura do Mundial. Na ocasião, os pilotos da companhia aérea Air France cruzaram os  braços durante 11 dias. A paralisação foi encerrada 24 horas depois da vitória da seleção brasileira sobre a Escócia por 2 a 1, o primeiro jogo do torneio.

"Sinto-me triste e quase envergonhado de ver a França ser tomada refém de dirigentes sindicais", disse o então ministro do Interior francês, Jean-Pierre  Chevènement. A situação levou o presidente Jacques Chirac a fazer um apelo, pois havia a preocupação com a imagem do país no exterior.

A estatal Air France, em 1998, era responsável por 80% das atividades do principal aeroporto do país, o Charles de Gaule. Na Copa, a empresa tinha 160 voos  especiais programados para o transporte das 32 seleções. "Não posso imaginar os pilotos da Air France paralisando o país durante a Copa do Mundo e assumindo  o risco de tornar incontrolável uma situação que já é difícil", disse Jean-Cyril Spinetta, presidente da empresa.

As operações só voltaram ao normal no dia 15, no quinto dia da Copa do Mundo da França. A greve dos 3,6 mil pilotos franceses estava ligada à reestruturação de salários da companhia aérea. A saída encontrada foi congelar os salários dos pilotos veteranos. Os recém-contratados tiveram redução nos vencimentos, mas  a Air France se comprometeu a arcar com a formação dos profissionais.

Na abertura da Copa, os 30% dos condutores dos trens da França também entraram em greve. Marselha, Saint-Étienne e Toulouse, além de Paris - todas sedes do  Mundial -, foram afetadas pela paralisação. Os caminhoneiros, por sua vez, pararam de trabalhar a 14 dias da estreia da Copa.

PROTESTO

No dia 12 de abril de 2010, a menos de dois meses da abertura da Copa do Mundo na África do Sul, 60 mil trabalhadores ligados aos setores de transporte  público, limpeza urbana, saúde e educação cruzaram os braços em três cidades-sede da competição: Johannesburgo, Durban e Cidade do Cabo. "Sem aumento, sem  Copa", gritavam os manifestantes.

No fim de maio, os mineiros também entraram em greve. O sindicato ligado ao setor elétrico, por sua vez, ameaçou parar as atividades durante as partidas do  Mundial. Após o início do torneio, os problemas continuaram. Funcionários entraram em greve nos estádios. Além disso, no dia 17 de junho, um protesto contra  os gastos da Copa ocorreu nas ruas próximas ao prédio do governo sul-africano.

BRASIL

No último dia 20, os motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo deixaram de trabalhar. Em dois dias, 16 terminais da cidade não entraram em operação. A  greve, que durou dois dias, ocorreu depois de o sindicato dos motoristas fechar acordo com os patrões prevendo 10% de aumento salarial. Os  trabalhadores  queriam pelo menos 13%.

A onda de greve também afetou cidades da região metropolitana, além de algumas capitais: Florianópolis, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís enfrentaram paralisações por melhorias de aspectos trabalhistas. A greve dos motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo influenciou os funcionários do Metrô, segundo o próprio presidente do sindicato. A mobilização deve ocorrer no próximo dia 5, a apenas uma semana do confronto entre Brasil e Croácia na Arena Corinthians.

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