Trabalho de Moracy influencia na escalação

Durante a fase de pré-temporada, um dos assuntos mais comentados é a condição física dos jogadores. São seqüências e mais seqüências de testes (alguns deles com nomes quase impronunciáveis, outros mais familiares, mas que remetem ao automobilismo, como telemetria), exames, análises, planilhas, gráficos e muito, muito planejamento. E no Corinthians não é diferente. A evolução das técnicas atingiu tal ponto que, hoje, o preparador-físico pode escalar um atleta e, muitas vezes, até definir a posição na qual vai jogar. Bastam alguns minutos de bate-papo com o preparador-físico do clube, Moracy Sant´Anna, para entender até que ponto esse trabalho de início de ano pode influenciar no desempenho de cada jogador, e conseqüentemente de toda a equipe, durante a temporada. Para ilustrar melhor, o profissional recorreu a exemplos do dia-a-dia, abdicando da linguagem técnica. No caso do time do Parque São Jorge, a situação pelo qual passou o volante Pingo nos últimos meses evidencia a forma como os resultados obtidos nos testes e exames podem influenciar até a parte tática do time. No ano passado, os especialistas observaram que Pingo não tinha resistência durante atividades de longa duração. Enquanto os demais atletas mostravam-se à vontade em corridas de sete, oito quilômetros, o volante corintiano apresentava dificuldades incomuns e não conseguia acompanhar os demais. A primeira desconfiança foi em relação a problemas cardíacos. Foram providenciados todos os tipos de exames e nada foi constatado. "Então entramos em um processo de eliminação de hipóteses. Mas a cada um (exame) que realizávamos, não encontrávamos nada de errado com ele", lembrou Sant´Anna. "Até que um dia observamos que ele possuía mais de 85% de fibras rápidas, aquelas que são importantes para dar explosão de movimentos." Em outras palavras, a constituição física de Pingo o credenciava a ser um grande velocista, apto a correr provas de 100, 200 metros. E agora? - A constatação era curiosa, porém ficou a dúvida no que aquela informação poderia ser útil ao time. Afinal de contas, Pingo já era jogador profissional integrado ao grupo do Corinthians. O preparador encaminhou o resultado ao técnico Juninho Fonseca e, juntos, concluíram: o potencial de corredor de Pingo seria aproveitado na marcação de atacantes rápidos, aqueles que jogam a bola na frente e ganham dos zagueiros na velocidade. "Fomos jogar contra o Goiás e ele (Pingo) simplesmente anulou o Araújo, que atuava dessa forma", lembrou Moracy. Durante a pré-temporada, realizada em Extrema (MG), os testes físicos serão fortes até o fim de semana. A partir de segunda-feira será aliviado e Juninho poderá concentrar o trabalho na armação tática da equipe, que na quarta-feira estréia no Campeonato Paulista contra o Atlético, em Sorocaba.

Agencia Estado,

15 de janeiro de 2004 | 15h29

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