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Antero Greco
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Tradição ajuda, mas não ganha jogo

A tradição, os números, a trajetória histórica, a condição de organizador – tudo, ou quase, aponta para o Brasil como favorito no duelo com o Chile. Também considero a turma de Felipão em condições de superar, hoje, o quarto obstáculo no caminho para o hexacampeonato. Questão de bom senso, obviedade e passionalismo zero.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 22h47

Quem é craque em estatísticas apurou que as duas equipes se encontraram em 68 ocasiões, com vantagem canarinha sossegada pra mais de metro: 48 vitórias, contra 7 dos chilenos, e 13 empates. Em Mundiais, os brasileiros bateram os vizinhos nas três vezes em que se defrontaram. Bom ressaltar que os triunfos jamais surgiram com os andinos como visitantes.

Acha pouco? Então, lá vai outra interessante, pra acalmar o amigo. O colega PVC vasculhou alfarrábios e contou, na ESPN, que, em um século, a seleção perdeu três jogos oficiais como anfitrião, um deles – e o mais traumatizante – foi a final de 1950... o Maracanazo, Gigghia etc. e tal e ponto e vírgula, aquele papo manjado. Para trocar em miúdos: difícil pra chuchu, quase impossível, o Brasil tropeçar em casa.

E aí se asila o perigo. Esse negócio de retrospecto é muito jeitoso, sinaliza tendência, dá alento, porém não comporta exatidão, não tem ciência nenhuma embutida. Se o Chile vencer, será fenômeno? Sim. Pois bem, fatos raros ocorrem para quebrar regras.

Pareço cheio de dedos, e não é assim. Mantenho a convicção – ou a confiança – de que, na semana que vem, a seleção volta para Fortaleza, para a partida das quartas de final, contra Colômbia ou Uruguai (e o Obdulio, o Barbosa, a perda do título de 50... eita obsessão!). Mas, ao contrário dos três jogos anteriores, o de hoje tem aspectos peculiares.

Em primeiro lugar, trata-se de eliminação direta, não há meio-termo para ninguém; nem empate serve. Um time tem de ir para os vestiários do Mineirão como vencedor, e o outro chispa pra casa. Isso significa que erros não serão perdoados. Não há espaço para cochilos e experiências.

Além disso, os chilenos têm provavelmente o melhor conjunto em décadas – em qualidade e em estratégia. O argentino Sampaoli, como discípulo aplicado, segue à risca os ensinamentos de ‘El Loco’ Bielsa. Com isso, deu consistência, disciplina e alma a uma equipe que, uma vez na vida – em 1962, no Mundial que sediou –, chegou à semifinal.

O Chile tem cacife para atrapalhar a vida nacional. Não surpreenderá se se mostrar adversário chato, inconveniente – encardido, como a gente dizia no Bom Retiro. E, por via das dúvidas, já levantou a hipótese de que a arbitragem será caseira. Nisso comete erro primário.

O Chile não tem Neymar; o Brasil, sim. O rapaz continua a ser a estrela da companhia filipesca e chega o momento de se mostrar mais letal e decisivo. Fernandinho surge como novo titular no meio campo e novas mudanças podem surgir. De preferência, para aumentar a eficiência e não como desespero de causa. 

Palpite? A seleção segue.

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