Russell Cheyne/Reuters
Russell Cheyne/Reuters

Tradicionais rivais, Celtic e Rangers decidem ficar de pé em manifestação contra o racismo

Gerrard, técnico do Rangers, diz que atitude veio dos jogadores e que comissões os apoiaram

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2021 | 11h20

Celtic e Rangers empataram em 1 a 1 neste domingo no maior clássico do Campeonato Escocês, chamado de "Old Firm Derby". Porém, apesar da rivalidade dentro das quatro linhas, as duas equipes optaram por decisão conjunta em não se ajoelharem antes da partida. O ato ocorreria por conta de denuncias de racismo sofrido por Glen Kamara, do Rangers.

O meia finlandês teria sido ofendido racialmente por um adversário na última quinta-feira, em jogo pela Liga Europa, em que o Rangers foi derrotado pela Slavia Praga, clube da República Checa. A partida terminou em 2 a 0 para os visitantes, que avançaram às quartas de final no placar agregado de 3 a 1. A Uefa, maior entidade do futebol europeu, disse na sexta que abriria uma investigação sobre a atitude preconceituosa.

Antes do duelo, Steven Gerrard, comandante do Rangers e ídolo do futebol inglês confirmou que o ato de os times não se abaixarem foi tomado em comum acordo. "Nós não vamos nos ajoelhar. Nós conversamos com os dois capitães e eles tiveram uma decisão coletiva de permanecer de pé e juntos lado a lado, e nós vamos apoiar e seguir a decisão a comissão técnica toda também."

Enquanto os jogadores das duas equipes permaneciam de pé, uma mensagem foi mostrada no letreiro que contorna o gramado. A frase dizia "Mostre o cartão vermelho para o racismo". Gerrard explicou ainda que não teve conhecimento da reunião entre os dois capitães, mas que prontamente aderiu ao veredicto. "Eu compreendo totalmente a decisão que eles tomaram."

"Nós conversamos com o Rangers e concordamos em não fazer isso", declarou o técnico interino do Celtic, John Kennedy. "Isso provavelmente perdeu seu impacto nos últimos tempos, então nós mandamos uma mensagem muito mais forte se ficarmos de pé e unidos. Racismo e qualquer tipo de ódio em nossa sociedade, mas também no futebol, é lamentável. Nós queremos dar todo o suporte que pudermos", completou.

Na ocasião, Glen Kamara ficou visivelmente furioso depois que Ondrej Kudela falou algo em seu ouvido, mas com a mão à frente da boca, impossibilitando qualquer leitura labial. O ato do jogador checo deixou o clima ainda mais tenso. O Slavia Praga negou qualquer tipo de ato preconceituoso e, em comunicado oficial, disse que Kudela foi agredido por Kamara após a partida. O zagueiro disse que seus comentários não tiveram cunhos discriminatórios.

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