Tragédia provoca 47 mortes na África

O clássico entre Kaiser Chiefs e Orlando Pirates deveria ser uma festa, hoje à noite, no Ellis Park, na corrida pelo título da Primeira Divisão da África do Sul. Mas o encontro entre os maiores rivais do futebol local terminou em tragédia. Pelo menos 47 pessoas morreram - a maioria pisoteadas - e centenas ficaram feridas, por incidentes provocados dentro e fora do estádio. O jogo foi interrompido aos 33 minutos do primeiro tempo, quando o placar estava em 1 a 1. O interesse pela partida agitou Johannesburgo desde a manhã de hoje. As redondezas do estádio foram invidadas por milhares de pessoas que não queriam perder o principal duelo sul-africano. À medida que foi se aproximando o horário do jogo, a polícia teve mais dificuldade para controlar tumultos, principalmente nas bilheterias e nos portões. O excesso de torcedores - dentro e fora do estádio - fez com que o clima se tornasse tenso. Muita gente forçou a entrada e houve confrontos com a tropa de choques da polícia. Bombas de gás lacrimogêneo foram atiradas, na tentativa de dispersar os grupos que se formavam nas entradas do Ellis Park e essa estratégia só aumentou o pânico. No corre-corre, muitas pessoas caíram, enquanto a multidão passava sobre seus corpos. O desespero se propagou também para quem já estava nas arquibancadas superlotadas e teria se tornado incontrolável após o gol de empate do Pirates. Na agitação, torcedores tentavam sair e outros procuravam pular para o gramado. Houve dificuldade até para as equipes de paramédicos atenderem os feridos, na borda do campo, porque não havia como chegar ao estádio, já que na rua a multidão não se dispersava. Por isso, muita gente foi transportada de helicóptero. "Estou chocado e atordoado", disse Ngconde Balfour, ministro dos Esportes da África do Sul e que estava no estádio no momento da tragédia. "Envio condolências às famílias e faremos tudo o que for necessário para apurar responsabilidades." A primeira delas é saber como havia mais de 100 mil pessoas em um local que tem capacidade máxima para 67 mil pagantes. Em princípio, a Federação Sul-Africana de Futebol deve responder a processo, por ser a organizadora da partida. Os dirigentes dos dois clubes concordaram com a suspensão do clássico, pediram calma e desculpas para seus fãs. "Sentimos muito o que aconteceu", afirmou Kaizer Motaung, dono dos Chiefs. "Perdão, e que todos os que morreram descansem em paz", emendou Irwin Khoza, presidente dos Pirates. A tragédia de hoje não é inédita na África do Sul, país apaixonado por futebol. Em janeiro de 1991, 40 pessoas morreram, no estádio da cidade de Orkney, também durante jogo entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates. A revolta, naquela ocasião, ocorreu por causa de um gol anulado.Veja imagens da tragédia

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