Treino da seleção acaba em morte

Uma menina de 10 anos morreu e cerca de 100 pessoas ficaram feridas. Esse foi o saldo do grande tumulto que marcou o treino da seleção brasileira na tarde desta terça-feira, no Mangueirão, em Belém. Como mais de 65 mil torcedores foram ao local para acompanhar o time de Parreira, houve tentativa de invasão e muita confusão do lado de fora do estádio.Elinele dos Santos, de apenas 10 anos, sofreu traumatismo craniano após ser atropelada por um veículo na Rodovia Augusto Montenegro, em frente ao Mangueirão, e acabou morrendo. Mas o Governo do Estado do Pará defende que o atropelamento nada teve a ver com a confusão.De acordo com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), o número de feridos passou de 100 pessoas - três deles com gravidade, um menino de 9 anos com traumatismo craniano e duas adolescentes com fraturas em pernas e braços. Cerca de 60 foram atendidas no setor médico do próprio estádio e mais de 40 foram removidas para hospitais da cidade.Foi o último treino da seleção brasileira para o jogo desta quarta-feira, contra a Venezuela, em Belém, pela rodada final das Eliminatórias da Copa. A Polícia Militar estima que cerca de 65 mil pessoas estiveram na tarde desta terça no Mangueirão - não foi cobrado ingresso, apenas um quilo de alimento não perecível.A confusão - Uma hora antes de o treino começar, o estádio já estava lotado. Cerca de 10 mil pessoas não conseguiram entrar e muitos começaram a gritar para a Polícia Militar liberar os portões. Mas a ordem foi reforçar as entradas para evitar a invasão. Revoltados, muitos torcedores passaram a atirar pedras e forçar a entrada no estádio. A PM mandou a cavalaria dispersar a multidão, mas a confusão piorou. Alguns portões foram quebrados e quem tentou entrar acabou apanhando dos policiais, que também usaram gás lacrimogêneo e deram até alguns tiros para o alto. Houve corre-corre e teve muita gente pisoteada.Segundo o tenente-coronel Osmar Silva, a PM não agiu com violência. Trabalhou apenas para evitar que o estádio fosse quebrado por quem ficou revoltado por não ter entrado no treino. "Não havia lugar para mais ninguém, mas tinha gente que insistia em entrar, o que colocaria em risco a segurança de todos", explicou.Destruição - A Secretaria de Esporte e Lazer (Seel), que administra o Mangueirão, começou a limpar as dependências do estádio logo depois do treino. Operários foram convocados para passar a noite recuperando os portões que foram quebrados. Ainda não existe estimativa do prejuízo causado pelo tumulto desta terça-feira.Os organizadores do jogo desta quarta-feira garantem que não haverá problemas de acesso dos torcedores ao Mangueirão. Mais de 45 mil ingressos foram vendidos antecipadamente para o confronto entre Brasil e Venezuela.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2005 | 19h29

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