Treino do Corinthians acaba em briga

O argentino Carlos Tevez começa a se tornar um problema difícil de resolver para o Corinthians. Hoje pela manhã, em um lance bobo do treino no Parque São Jorge, o jogador se atracou com o zagueiro reserva Marquinhos, com quem trocou socos por alguns segundos - longos demais, no entanto, para todo o grupo de atletas, que assistiu atônito à segunda briga de Carlitos em dois meses. O adversário anterior havia sido o também companheiro de time, Carlos Alberto. Os brigões serão multados em cerca de 10% dos salários, anunciou hoje o diretor da MSI, Paulo Angioni. Para Tevez, isso significaria algo em torno de R$ 40 mil a menos no bolso, valor que poderá ser ainda maior caso a diretoria o considere culpado pela pancadaria, o que o tornaria reincidente. É sua quarta multa desde sua chegada no clube, duas delas por ir e voltar para Maringá, onde a equipe enfrentou o Cianorte, pela Copa do Brasil, utilizando bermudas - e não calças do uniforme, como manda o regulamento. No início de março, em um treino no Parque Ecológico, o argentino dividiu rispidamente com o meia Dinelson, outro reserva. Carlos Alberto, trazido do Porto pela MSI, tomou as dores do garoto e avançou contra o ex-jogador do Boca Juniors. Tevez cuspiu no "colega" corintiano e levou um soco no rosto como resposta. Hoje, a cena foi ainda mais constrangedora. Perto de onze horas da manhã, o atacante, com a bola dominada na lateral-esquerda, deu as costas para o zagueiro e acertou o cotovelo no rosto de Marquinhos. O atleta reserva caiu e imediatamente apalpou o nariz recém-fraturado. Ao perceber que estava sangrando, partiu para cima do atacante, empurrou-o e recebeu um murro como resposta. Trocaram vários socos e a situação poderia ter sido pior se Gustavo Nery não apartasse a briga. O treino foi interrompido no mesmo instante. Marquinhos, abatido, com o rosto vermelho e cobrindo o nariz com o colete do clube, foi o primeiro a descer aos vestiários. Ninguém falava nada, nenhum comentário. Tevez deixou o campo logo em seguida, acompanhado por Daniel Passarella, o perplexo treinador que momentos depois recusou, pela primeira vez, participar da entrevista coletiva. "Pediu desculpas. Não se sente bem. Está bastante chocado", informou a assessoria de imprensa do Corinthians. A diretoria garante que, além das multas, não haverá outra punição aos jogadores. Angioni tentou minimizar o fato e chegou a defender o atleta argentino. "É normal um episódio como esse no futebol, o Tevez não é primeiro a ter desavenças nos treinos", disse. "Se você for lembrar o histórico de grandes jogadores, todos eles tiveram problemas similares em seus clubes, não há nada novo." O dirigente afirmou ainda não haver qualquer possibilidade de Marquinhos ser dispensado do elenco. Há uma semana, o Atlético-MG tentou contratá-lo, mas Passarella recusou a transferência. "Terça-feira renovaremos seu contrato até 2008", concluiu Angioni.

Agencia Estado,

29 Abril 2005 | 11h15

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