Divulgação/Leverkusen
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Treinos em quartetos e vestiário fechado: como é o retorno do futebol alemão ao trabalho

Em entrevista ao 'Estado', lateral Wendell, do Bayer Leverkusen, detalha como o país tem procurado fazer o futebol voltar ao normal

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2020 | 13h23

O lateral-esquerdo Wendell, do Bayer Leverkusen, da Alemanha, começou uma rotina nova de trabalhos na última semana. Após cerca de um mês sem sair de casa pelo temor com a pandemia do novo coronavírus, o jogador de 26 anos e outras centenas de colegas que disputam o campeonato local, a Bundesliga, começaram um outro regime de treinos. Com trabalhos em quartetos, vestiário fechado e conversas contínuas com médicos, o primeiro dos principais países da Europa a retomar as atividades no futebol já sonha com o retorno das partidas oficiais.

Em entrevista ao Estado, de Leverkusen, Wendell contou como tem sido a volta aos treinamentos dos principais times alemães. O país registra até agora 130 mil casos do novo coronavírus e cerca de 3 mil vítimas fatais, uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo. O campeonato está suspenso desde 13 de março, quando a equipe do lateral brasileiro ocupava a quinta colocação da tabela.

"Nós estamos treinando em pequenos grupos, separados por horários. Não é mais todo mudo junto. São uns quatro ou cinco jogadores de cada vez", disse Wendell. A preocupação com o contágio continua grande, mesmo com o elenco já de volta ao trabalho. "Existe um cuidado com o distanciamento. Não nos esbarramos. O cozinheiro faz a alimentação e deixa pronta a marmita para nós na saída das atividades. O refeitório está fechado e o vestiário também. Não entramos lá. O banho a gente tem de tomar em casa. Já vamos treinar vestidos com o uniforme do clube e voltamos da mesma maneira", explicou.

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Treinar assim é bem melhor do que ficar em casa parado. Você volta a ter contato com o futebol, vê alguns colegas. Todos nós do time nos gostamos muito
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Wendell, jogador brasileiro do Leverkusen

O mesmo sistema de trabalho tem sido aplicado por outros times alemães, como o Bayern de Munique. A direção do campeonato local reuniu os clubes para elaborar esse planejamento. A prioridade das equipes é fazer trabalhos que não exponham aos atletas a contatos próximos entre si. No Leverkusen, há o cuidado ainda de se ter um revezamento de horários das turmas que vão para o trabalho no centro de treinamento, para evitar o encontro de vários atletas em uma mesma faixa do dia. Esse sistema tem sido observado pelo Flamengo, que avalia realizar experiência parecida. O futebol brasileiro está paralisado e os jogadores, oficialmente, estão de férias até dia 20.

No Leverkusen, os jogadores têm encontros regulares com o médico da equipe para receber orientações sobre a pandemia e serem monitorados. Febre, dor de garganta e de cabeça, tosse... "Treinar assim é bem melhor do que ficar em casa parado. Você volta a ter contato com o futebol, vê alguns colegas. Todos nós do time nos gostamos muito", disse Wendell. Em sua sexta temporada na Alemanha, o lateral foi um dos escolhidos pelo treinador da equipe para negociar a redução salarial do elenco. O brasileiro e mais outros quatro companheiros atuaram como representantes do grupo nas conversas com a diretoria. Todos aceitaram ter uma diminuição temporária nos vencimentos.

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O povo aqui respeita as ordens das autoridades. Na primeira semana as pessoas não levaram à sério a recomendação, mas depois a polícia começou a punir e o governo fez outros pedidos para ficarem em casa
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Wendell, jogador brasileiro do Leverkusen

Wendell afirmou ao Estado que a Alemanha pretende retomar o campeonato no início de maio. A tendência é os jogos serem com os portões fechados, sem público. "Vamos ter de nos adaptar a jogar sem torcida. A Alemanha é uma das ligas com média mais alta de torcedor. Será estranho não ter ninguém e dentro de campo ter aquele silêncio", disse. Em Leverkusen, o jogador vive com a namorada e faz contato frequente com os familiares para saber novidades sobre o avanço da pandemia no Brasil.

ALEMANHA

Para o lateral, a Alemanha tem conseguido lidar melhor com o novo coronavírus por ter conseguido cumprir de form mais eficiente o isolamento social. "O povo aqui respeita as ordens das autoridades. Na primeira semana as pessoas não levaram à sério a recomendação, mas depois a polícia começou a punir e o governo fez outros pedidos para ficarem em casa. Aqui tem muito infectado, mas tem um número menor de mortes porque existe um respeito e a consciência de que não se pode infectar o colega", explicou.

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