Três ases e um curinga

Carille, Roger e Jair são jovens em busca de espaço. Dorival, o veterano em mais um desafio

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2018 | 05h00

O futebol doméstico está de volta a partir desta quarta-feira. Que bom. Mesmo que os Estaduais já não atraiam tanto, sempre emociona ver o time da gente em ação. E o primeiro torneio da temporada serve como aperitivo para os desafios mais importantes, como Libertadores, Copa e Brasileirão. Por ele, mesmo com restrições, é possível fazer projeções animadoras ou ter calafrios desencorajados 

Assim como ocorreu no ano passado, o quarteto dos grandes paulistas dá a largada com três jovens no comando e um veterano – daí o título da crônica, que é também homenagem ao “Quatro Ases e um Curinga”, conjunto de música brasileira muito popular nos anos 40 do século passado. 

Fabio Carille, Roger Machado, Jair Ventura e Dorival Júnior compõem o bloco dos professores em destaque. Os três primeiros seriam os “ases”, em busca de afirmação. Dorival, o mais veterano, inicia outra etapa em sua caminhada como “curinga” da profissão.

Carille larga com cacife maior, ao contrário do que aconteceu em janeiro de 2017. Na época, era promovido no Corinthians mais por falta de opções fortes no mercado do que por certeza na capacidade de administrar um elenco sem estrelas. Havia nuvem cinza na equipe, considerada a quarta força local. A história é conhecida: vieram os títulos paulista e nacional, ambos com méritos, sobretudo do treinador.

Carille agora é encarado com respeito, interno e dos adversários. Deixou de ser neófito e se prepara para ser nome de peso na categoria. O grupo que lhe foi entregue se parece com o anterior, apesar de baixas importantes como as de Pablo, Arana e Jô, trio importante nas conquistas. A tarefa consiste em fazê-lo tão confiável quanto antes. Há confiança, na mesma proporção em que também cresce a cobrança. O ano promete para Fábio Carille. 

Pressão e expectativa – eis componentes que não faltarão na rotina de Roger no Palmeiras. Em proporção semelhante àquela que cercou Eduardo Baptista ao pegar um plantel estrelado, reforçado e que acabara de levantar o Brasileiro de 2016. A diferença para o atual técnico da Ponte está no fato de que o recém-chegado assume equipe que passou em branco.

Em contrapartida, vieram astros do calibre de Scarpa e Lucas Lima, fora a promessa de novas surpresas antes do fechamento da janela de contratações. Ou seja, de novo o Palmeiras desponta como a trupe mais rica e que oferece diversificação de qualidade para o chefe

Caberá a Roger manejar estratégias, preparar esquemas táticos que englobem os principais jogadores. E, acima de tudo, lidar com egos. Em palavras simples e ligadas ao mundo boleiro: não pode perder o vestiário. Se ficar sem a confiança dos jogadores, não esquentará banco. Tem oportunidade de ouro para mostrar-se candidato a suceder cabeças coroadas como as de Luxemburgo, Felipão, Mano, Tite. 

Árdua a missão de Jair na Vila Belmiro, para onde foi atraído pelos resultados dignos obtidos num limitado Botafogo. O Santos surge enfraquecido, ao menos na teoria, e não pôde investir à altura do que necessita. Como tem sido frequente em sua história recente, apelará para as categorias de base como fonte de reposição de talento e energia. A questão é: a diretoria empossada dias atrás terá autocontrole para não se precipitar em eventuais turbulências? 

Interessante também saber que tipo de respaldo terá Dorival da cartolagem do Morumbi, agora com presença de ex-atletas ilustres como Raí e Ricardo Rocha. O São Paulo versão 2018 desponta aquém do pretendido e desejado, depois de conviver com o fantasma do rebaixamento. Com a agravante de ter ficado sem Pratto e Hernanes. Ok, veio Diego Souza para compensar. Paira no ar o temor: o Tricolor será ainda coadjuvante ou volta a ser protagonista?

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.