Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Três empresas disputam Itaquerão

Corrida para dar nome ao estádio pode render até R$ 400 milhões ao Corinthians em 20 anos

Almir Leite e Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2013 | 08h02

SÃO PAULO - Três empresas negociam a compra do nome do Itaquerão. Essa é a peça que falta para "destravar" a engenharia financeira do estádio que receberá a abertura da Copa do Mundo de 2014. Os últimos entraves que cabiam ao setor público estão prestes a ser solucionados.

O Ministro do Esporte Aldo Rebelo afirmou nesta quinta-feira que a liberação do empréstimo do BNDES de R$ 400 milhões será feita "em breve". Já o prefeito Fernando Haddad (PT) prometeu nova emissão dos CIDs para daqui a três meses - essa linha de incentivo fiscal vai permitir ao Corinthians captar no mercado R$ 420 milhões.

Vender o nome do estádio (os namings rights) a uma empresa é necessário para pagar o empréstimo do BNDES, que será quitado em dez anos, depois de três anos de carência.

Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians e responsável pela construção do estádio, disse nesta quinta que a Cervejaria Petrópolis (a marca Itaipava) fez uma proposta pelo Itaquerão.

O Estado, no entanto, apurou que foi a marca que procurou o Corinthians e se assustou com a pedida de R$ 400 milhões por um prazo de 20 anos. A Itaipava batizou a Arena Fonte Nova (R$ 100 milhões por dez anos) e estuda comprar o direito do nome da Arena Pernambuco.

O Corinthians chegou a formalizar propostas a seis empresas, duas nacionais e quatro estrangeiras, mas com atuação no País - apenas uma dessas estrangeiras não tem grande participação no mercado brasileiro.

Dessas seis conversas, três continuam de pé, como disse Andrés. Uma delas é do setor de aviação - dirigentes do clube falam em Emirates. Outra empresa interessada é um banco privado brasileiro.

"É natural que as conversas (com as empresas) aumentem no momento que as arenas vão ficando prontas e com a proximidade da Copa", disse o diretor de marketing do Corinthians, Ivan Marques, que é publicitário.

Ele é responsável por elaborar os projetos que são enviados às empresas interessadas em dar nome ao Itaquerão. A meta, segundo ele, continua vender o namings rights por R$ 400 milhões. Mas o clube já admite receber um valor menor, desde que exista um projeto entre clube e empresa que vá além de apenas batizar o estádio. "Pode ser 15%, 20% menor, mas depende de como vamos fechar esse pacote, complementando essa diminuição de valor com outras fontes de recursos."

Dirigentes afirmam que se o clube obtiver R$ 300 milhões por um período de dez anos (R$ 30 milhões/ano) já seria suficiente para fechar um acordo. Eles acreditam que o estádio vai gerar uma renda extra que antes o clube não tinha, como a venda de camarotes, cativas, estacionamento e serviços.

Andrés Sanchez disse nesta quinta que espera fechar esse acordo até final desse ano. O motivo é simples: o estádio será inaugurado em dezembro e a ideia é que ele receba um nome assim que estiver pronto - as obras atingiram 70% de conclusão.

O estádio receberá até dois jogos antes da Copa de 2014 como eventos-teste. O Corinthians só vai começar a mandar seus jogos lá em 2015. Depois da Copa é preciso readaptar o estádio. "Se não mexerem mais em nada, o Corinthians só joga aqui em fevereiro de 2015", afirmou Andrés.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.