Três pastores belgas reforçam Corinthians

Os reforços que mais merecem respeito para o Campeonato Brasileiro para a torcida corintiana são três: Capitão, General e Marechal. São cachorros assustadores. Pastores belgas treinados para atacar qualquer torcedor que tente invadir o hotel fazenda das Amoreiras, em Extrema, Minas Gerais. "A ordem que eu tenho da diretoria corintiana é deixar os torcedores longe, bem longe dos jogadores. Os meus funcionários já estão avisados que é para soltar os cães em cima de qualquer torcedor que se atrever a tentar invadir aqui", diz o dono do hotel e ex-dirigente corintiano, Pedro Fabiano. "No ano passado, um desses entrou em uma bóia e tentou vir pelo rio. Quando chegou, um cachorro estragou o seu tornozelo. E se qualquer um quiser tentar de novo, meus pastores estarão prontos", promete Fabiano. Enquanto os jogadores treinam, seguranças passeiam ao redor do campo conduzindo os cachorros enormes. Mas antes de chegar ao gramado, existem duas porteiras. Com seis truculentos seguranças em cada uma delas. "É bom andar devagar pelo hotel. Bem devagar", ameaçam os seguranças os motoristas dos carros de imprensa. Os jogadores gostam deste afastamento da torcida e não se mostram nem um pouco com vontade de encontrar a diretoria da Gaviões da Fiel que pretende conversar com eles para evitar um vexame no Campeonato Brasileiro. "Quem provocou essa situação foi a própria torcida que nos desrespeitou no aeroporto. A satisfação que eu tenho a dar a ela é em campo. Não adianta primeiro bater no filho para depois chamar para tentar conversar. Comigo, não", decreta Rincón. "Com tanta segurança assim, a gente trabalha em paz. E paz é tudo o que o Corinthians está precisando agora. A hora é de pensar em treinar e acertar o time. Não de conversar", afirma Valdson. "Se acontecer isso é coisa de diretoria para diretoria. Eu sou funcionário do clube e sou pago para treinar jogadores", diz, seco, Oswaldo de Oliveira, sem a menor intenção de se explicar aos torcedores. Livre da Gaviões, os jogadores precisam se adaptar a uma rotina que lembra os quartéis. O café da manhã é às 7h30. O almoço ao meio-dia. O jantar é servido às 19 horas. Todos devem estar dormindo às 22h30. Mas mesmo protegidos, os atletas ficaram sabendo das críticas do presidente Lula ao Corinthians na noite de segunda-feira. "O Brasil não vive crise. Quem está em crise é o Corinthians que não ganha de ninguém", disse o presidente. A resposta veio forte. "Quer comparar a situação do Corinthians com a do Brasil? Nós só não fomos bem no Paulista. Como é que está o nosso país? O presidente deveria pensar antes de falar", desabafa Renato. Em relação às contratações, Oswaldo de Oliveira travou a negociação que Rivellino havia acertado com Jardel. O próprio treinador está tentando convencer Reinaldo, ex-São Paulo, a atuar no Parque São Jorge. Já Piá quer receber os R$ 400 mil que a Ponte lhe deve antes de fechar com o Corinthians. Seus salários já estão combinados: R$ 38 mil mensais e mais luvas de R$ 150 mil.

Agencia Estado,

30 de março de 2004 | 18h08

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