Francisco Leong/AFP
Francisco Leong/AFP

Três tenores: Cristiano Ronaldo, Neymar e Messi comandam suas seleções na Copa

Com um futebol erudito, craques orquestram suas equipes em busca da taça do Mundial

Glauco de Pierri e Gonçalo Junior, enviados especiais / Moscou, O Estado de S.Paulo

13 Junho 2018 | 05h00

A festa de encerramento da Copa do Mundo de 1990, na Itália, encantou o mundo com uma novidade – os Três Tenores. Nas Termas de Caracala, em Roma, em 7 de julho daquele ano, os eruditos Plácido Domingo, José Carreras e Luciano Pavarotti cantaram, com o maestro Zubin Mehta conduzindo a magnífica Orquestra Maggio Musicale Fiorentino e a Orquestra do Teatro da Ópera de Roma.

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Vinte e oito anos depois, na Copa do Mundo de 2018, uma nova versão dos Três Tenores continua encantando o mundo – os também eruditos Cristiano Ronaldo, Neymar e Lionel Messi estreiam na Rússia com as seleções de Portugal, Argentina e Brasil com um objetivo único: conquistar o título do campeonato mundial de futebol.

Protagonistas do torneio, os três carregam nas costas o peso da expectativa dos torcedores de seus países – mas quem disse que isso será um problema para esses astros? O primeiro a entrar em campo será Cristiano Ronaldo, em uma das partidas mais esperadas da primeira fase. Na sexta-feira, Portugal enfrenta a Espanha em Sochi, às 15h (horário de Brasília).

Eleito cinco vezes como o melhor jogador do planeta pela Fifa, o craque que ajudou o país a conquistar a Eurocopa de 2016 está em mais uma bela temporada. Com o Real Madrid, faturou mais uma vez o título da Liga dos Campeões da Europa e tem se destacado como capitão e líder de sua seleção. CR7 anotou nada menos do que 15 gols em nove jogos nas Eliminatórias – todas as jogadas da seleção portuguesa passam pelos seus pés.

 

“Ele faz toda a diferença. Quando você tem o melhor jogador do mundo no seu time, é automático – o outro time fica com receio. Cristiano Ronaldo faz com que o adversário pense: “devo ir ou não devo ir”. E ele pode criar isso apenas com sua presença em campo”, disse nesta semana o veterano zagueiro português José Fonte, que joga no Dalian Yifang, da China.

POR UMA TAÇA

Outro “Tenor” na Rússia, Lionel Messi vai estrear diante da Islândia, dia 16, pressionado por uma fila que não anda. É provavelmente a última oportunidade para que o dono de cinco Bolas de Ouro da Fifa não passe em branco com a camisa da seleção. São três finais consecutivas e três vice-campeonatos (Copa América 2015, Copa Centenário e Copa de 2014). Pode ser a última chance, pois o próprio craque não descarta a aposentadoria.

“O fato de perdermos três finais nos fez passar por momentos delicados com a imprensa argentina por ela não entender a diferença do que significa chegar a uma final. Não é fácil e é preciso ser valorizado. Claro que é importante conquistar, mas chegar à decisão não é simples”, disse ao jornal Sport.

Messi chega com a obrigação de encerrar o período de 25 anos sem títulos – a última conquista foi na Copa América de 1993. Ele tem o peso nos ombros de suprir a carência de um país que não sabe o que é gritar “campeão” desde o fim da carreira de Diego Maradona.

Messi entra pressionado também na disputa pelo prêmio de melhor do mundo – Cristiano Ronaldo já abriu certa dianteira na temporada. Uma boa campanha no Mundial, como uma semifinal, por exemplo, meta pessoal que o próprio craque argentino já definiu, pode recolocá-lo à frente. Neste ano, a escolha do melhor jogador do mundo da Fifa será em dezembro.

Desde que assumiu o comando da seleção, o objetivo do técnico Jorge Sampaoli é fazer o craque do Barcelona se sentir à vontade em campo. Isso aconteceu poucas vezes, é fato. A mais emblemática foi no último jogo das Eliminatórias, com vitória sobre o Equador fora de casa por 3 a 1 e três gols do astro. Na campanha do vice-campeonato na Copa disputada no Brasil em 2014, Messi reclamou de cansaço na reta final. Esse pode ser o calcanhar de Aquiles da Argentina. Ele já fez 60 jogos na temporada, o que é bastante para um jogador que tem sobre si a responsabilidade de levar sua seleção à taça tão esperada.

SONHO

“Tem que confiar, sonhar, não tem que segurar a onda não. Tem que falar que é brasileiro, ter orgulho. Tem que sonhar mesmo. Sonhar não é proibido, os 23 convocados e a comissão são quem mais estão sonhando com o título, confiantes no nosso futebol e em busca da conquista”. É assim que Neymar, o mais jovem dos “tenores da bola”, e o que vai estrear mais tarde, tem encarado a Copa. Confiante ao extremo, ele falou logo após a vitória por 3 a 0 sobre a Áustria, no último amistoso antes do primeiro jogo da seleção brasileira, domingo, contra a Suíça, às 15h (horário de Brasília), na Arena Rostov. O Mundial da Rússia pode significar a mudança de patamar na carreira para o atacante brasileiro, que há pouco menos de um ano trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain e que ainda está bem abaixo de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

Uma boa participação na Rússia-2018 com a seleção brasileira poderá fazer com que ele tenha uma chance real de tentar faturar a sua primeira Bola de Ouro. Não custa sonhar.

OS CRAQUES QUE CORREM POR FORA

Mesmo um degrau abaixo de Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, várias estrelas são “figurinhas brilhantes” no álbum da Copa do Mundo. São atletas acima da média, fundamentais em suas seleções, mas que ainda buscam a ascensão definitiva. E o Mundial da Rússia é o caminho. 

O primeiro nome dessa lista é o do egípcio Mohammed Salah, o melhor jogador africano da atualidade. Responsável direto pela classificação do seu país, quebrando um jejum de 28 anos, Salah é ídolo também na Inglaterra. Eleito o melhor jogador da Premier League por jornalistas e atletas ingleses, Salah superou o recorde de gols na temporada, que era do uruguaio Luis Suárez e do português Cristiano Ronaldo. Se ele fizer uma boa Copa, pode embaralhar a disputa pelo próximo prêmio de melhor do mundo. 

Outro que pode entrar nessa briga é o francês Antoine Griezmann. Ganhador da Chuteira de Ouro em 2016 como artilheiro da Europa, o francês é o destaque de uma geração dourada. Muitos apostam na França entre os semifinalistas. Se isso acontecer, o atacante também sobe de patamar. O Barcelona está de olho nele faz tempo e pode concluir a negociação na próxima janela. Na entrevista coletiva desta terça-feira, ele desconversou: “A decisão (sobre ir ao Barcelona) já está tomada, mas não é o momento de falar disso.” 

MEMÓRIAS DE 2014

Um dos grandes responsáveis pelo dinamismo alemão, Tony Kroos traz lembranças tristes para os brasileiros. Ele fez dois gols no 7 a 1 no Mineirão, na última Copa. É considerado um dos melhores do mundo em sua posição. Não chega a ser um finalizador nem um craque, mas é peça-chave no volume de jogo da seleção. 

Luis Suárez, quarto melhor do mundo em 2016 e referência do Barcelona e da seleção uruguaia, teve uma temporada regular. Quer se recuperar na Copa. Em 2014, depois de uma fase de grupos surpreendente em que venceu Inglaterra e Itália, a seleção uruguaia caiu nas oitavas de final diante da Colômbia. Não deve ter dificuldade para passar a fase de grupos, mas precisa provar ainda que pode levar o time mais adiante. 

Um dos grandes nomes da famosa “geração belga”, Kevin de Bruyne tem tudo para se consolidar como craque – assim como o time pode se firmar como uma potência. É preciso justificar o terceiro lugar no ranking da Fifa. O atacante polonês Lewandowski está mais ou menos na mesma situação: reconhecido no cenário europeu como um dos melhores centroavantes, ele precisa colocar a Polônia em negrito numa Copa. 

Depois de ganhar o Prêmio Puskas com o golaço que marcou diante do Uruguai – um dos gols mais bonitos da história das Copas –, James Rodríguez viu sua carreira patinar. Quem sabe um novo Mundial possa fazer da Colômbia protagonista e recolocá-lo entre os grandes. 

 

 

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