Alex Silva/ Estadão
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Tribunal começa a ouvir testemunhas para decidir se houve interferência no dérbi

Sete pessoas, entre elas o árbitro de Palmeiras x Corinthians, são intimadas a prestar esclarecimentos nesta terça-feira, na sede do TJD-SP

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2018 | 07h00

O TJD-SP (Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo) começa a ouvir nesta terça-feira os depoimentos de sete testemunhas para dar sequência ao inquérito que apura se houve ou não interferência externa na arbitragem capitaneada por Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza na final do Paulistão, entre Palmeiras e Corinthians, no último dia 8, no Allianz Parque.

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A intenção dos palmeirenses é anular o resultado que deu ao rival o título estadual desta temporada. A partida terminou com vitória por 1 a 0 dos corintianos que, depois, levaram a melhor nas cobranças de pênaltis. O Tribunal já avisou que, se o Palmeiras conseguir provar a interferência, o jogo será invalidado.

Além do árbitro do jogo, serão ouvidos os demais membros da equipe: assistentes um (Anderson José de Moraes Coelho) e dois (Daniel Paulo Ziolli), quarto árbitro (Adriano de Assis Miranda) e assistente adicional (Alberto Poletto Masseira). Também prestarão depoimento o delegado do jogo, Agnaldo Vieira, e o tutor de arbitragem Dionísio Roberto Domingos, peça-chave da acusação palmeirense. As oitivas estão marcadas para começarem às 14h, no plenário do TJD, e serão abertas à imprensa.

Em tese, todos serão ouvidos nesta terça. Caso algum dos convocados não possa comparecer, terá de apresentar justificativa. A investigação vem sendo conduzida pela procuradora Priscila Carneiro de Oliveira, da 3ª Comissão Disciplinar, que é composta por cinco membros: Fernando Alberto Ciarlariello, Marcelo Augusto Gondim Monteiro, João Batista Ferreira Filho, Luiz Augusto Filizzola D’Urso e Candido Spínola Alvarenga Júnior. Além deles, estará presente no plenário o procurador-geral do órgão, Wilson Marqueti Júnior.

Colhidos todos os depoimentos e analisadas as provas, eles terão de decidir se apresentarão denúncia ou não no próximo dia 23. Em caso positivo, o dérbi poderá ser anulado. Se acharem que não há indícios suficientes, o processo fica arquivado.

Entenda o caso

A tese alviverde para "melar" o dérbi está depositada em um lance específico, ocorrido aos 26 minutos do segundo tempo. Após ver pênalti do corintiano Ralf em Dudu, o árbitro foi pressionado pelos jogadores do Corinthians enquanto tentava se comunicar com os seus auxiliares. Passados mais de sete minutos de muita confusão – com direito a atletas corintianos literalmente arrancando a bola das mãos de um asssustado Marcelo Aparecido –, este voltou atrás e marcou apenas escanteio.

O Palmeiras alega que, em meio a essa demora toda, o tutor de arbitragem Dionísio Roberto Domingos foi a pessoa que avisou a abitragem a respeito do que a TV mostrara pelo replay logo depois da suposta infração – que Ralf tocara na bola, e não em Dudu, antes deste desabar no gramado.

A principal "prova" apresentada pelo clube até agora foi um vídeo (veja abaixo) mostrando a movimentação na lateral do campo enquanto a arbitragem decidia o que fazer. Nele, Dionísio aparece se aproximando do campo e, aparentemente, dizendo algo ao auxiliar Anderson José de Moraes Coelho. Em seguida, o quinto árbiro corre em direção ao quarto árbitro e passa alguma informação. Este avisa Marcelo Aparecido, que decide, enfim, anular a marcação do pênalti.

 


O vídeo, que o Palmeiras publicaria em seu site oficial na última terça-feira, provaria "de maneira inequívoca e irrefutável", segundo o clube, a interferência, algo que a FPF (Federação Paulista de Futebol) negaria no dia seguinte por meio de nota oficial. 

O Estado apurou que, ao menos até o momento, o Tribunal não recebeu do Palmeiras nenhum outro material que não fossem os vídeos já mostrados publicamente. O clube pode solicitar a coleta do depoimento de outras testemunhas no decorrer do inquérito ou anexar eventuais provas que surjam até o dia 23.

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