Tribunal decide futuro do América-RJ

O América do Rio ganhou no campo o direito de participar da Copa do Brasil de 2004. Mas não deve conseguir a vaga. O Bangu, dirigido por Rubens Lopes, médico particular do presidente da Federação de Futebol do Rio, Eduardo Viana, tem um jogo sub-júdice com o Olaria e pode ultrapassar em pontos o América se ganhar a partida em julgamento do Tribunal da Federação. A entidade decidiu semanas atrás que o sexto colocado do Campeonato Carioca teria vaga assegurada na Copa do Brasil do próximo ano. A fase de classificação terminou na quarta-feira de cinzas e com a vitória sobre o Botafogo por 2 a 1, o América encerrou sua participação em sexto lugar. Teoricamente, teria garantido a presença na competição nacional. Existe, porém, o obstáculo. O Bangu, que acabou em sétimo, enfrentou o Olaria no sábado, às 16 horas, depois de a federação informar à imprensa que o jogo seria disputado em outro dia. "Não havia ninguém no estádio do Bangu", contou o técnico do Olaria, Sérgio Cosme, com passagens pelo Grêmio, Vasco, Fluminense e Atlético-PR. "O Campeonato Carioca é uma competição enganosa, com ajuda a clubes dentro de campo. A gente trabalha com dignidade e vê isso", prosseguiu. Bangu x Olaria foi interrompido aos 35 minutos do segundo tempo, quando o placar registrava empate sem gol e o juiz marcou um pênalti a favor do time do médico de Eduardo Viana. Com uma vitória simples, o Bangu não correria risco de perder a vaga na Copa do Brasil para o América. "Foi o maior escândalo que vi na minha vida. O jogador do Bangu se jogou como se fosse dar um mergulho numa piscina", disse Cosme. "Foi uma covardia." Em protesto, a diretoria do Olaria e todos os jogadores do clube sentaram-se próximos à marca do pênalti e evitaram a cobrança. O árbitro José Humberto Ezequiel Teixeira, estreante no Carioca, esperou alguns minutos e encerrou o jogo, comunicando ao clube visitante que todos os atletas estavam expulsos. "Aí ele chegou para mim e disse: deixa o Bangu cobrar o pênalti, Sérgio. Manda depois um jogador teu cair que eu marco também", relatou o treinador do Olaria. A Federação agora vai levar ao caso ao Tribunal de Justiça Esportiva da entidade para tomar a decisão final. "Não tenho dúvidas do que vão fazer. Mas não culpo os clubes. No jogo Olaria x Americano (em 16 de fevereiro), o presidente Eduardo Viana entrava no campo toda hora", disse Cosme. A Agência Estado não conseguiu falar com Rubens Lopes nem com Viana. O árbitro não deu retorno à ligação.

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