Reprodução
Reprodução

Tribunal reprova contas de amistoso com Ronaldinho Gaúcho organizado por vice-presidente da CBF

Coronel Nunes, presidente da Federação Paraense, foi autuado por "grave infração à norma legal" e multado

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2016 | 10h23

Vice-presidente da CBF, o coronel Antônio Carlos Nunes teve a sua prestação de contas como presidente da Federação Paraense de Futebol reprovada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Pará devido a um convênio de R$ 1 milhão assinado com a Casa Civil do Pará para a realização do "Jogo das Estrelas" com a presença de Ronaldinho Gaúcho como principal atração.

A partida foi disputada em dezembro de 2008, mas a decisão final do TCE sobre as contas do evento realizado no estádio do Mangueirão, em Belém, só saiu neste ano. Coronel Nunes foi autuado por "grave infração à norma legal" e multado em R$ 2 mil.

De acordo com relatórios dos conselheiros do TCE, foram encontrados diferenças entre os valores estipulados no convênio e o montante efetivamente gasto. Recibos e notas fiscais de despesas totalizaram o valor bruto de R$ 1.623.750,00, enquanto que a relação de pagamentos efetuados foi de R$ 1 milhão.

Ainda segundo o TCE, havia divergência entre quem era a contratante e a contratada e as determinações que cada uma deveria ter. Os conselheiros do tribunal alegam que o convênio foi cumprido com a realização do "Jogos das Estrelas", mas a maneira "como as operações de pagamento ocorreram não estão claras e não descrevem fielmente de que forma esta contratação ocorreu, eis que as determinações à contratação e realização estão obscuras nesta prestação de contas."

O Tribunal chegou a pedir a devolução de R$ 868 mil ao cofres públicos, mas, após a apresentação da defesa, o órgão optou por, em novo relatório, manter suas conclusões pela irregularidade, porém, sem devolução do valor.

Coronel Nunes é também investigado pelo Ministério Público do Pará pela sua atuação como presidente da Federação Paraense. Em 2011, 2012 e 2013 a entidade recebeu quase R$ 3,5 milhões de verba pública, e os promotores querem saber como o dirigente gastou esse dinheiro. Segundo o MP, as investigações estão atrasadas porque o coronel Nunes entregou uma prestação de contas incompleta ao Ministério Público.

Ele foi eleito vice-presidente da região Sudeste da CBF no fim do ano passado para a vaga que era ocupada por José Maria Marin, que está em prisão domiciliar no apartamento que possui em Nova York, nos Estados Unidos, e renunciou ao cargo por carta. Aos 77 anos, Nunes passou a ser o vice-presidente mais velho da CBF, superando Delfim de Pádua Peixoto, presidente da Federação Catarinense, que é opositor de Marco Polo Del Nero e que tem 74. Se o presidente renunciar ou for afastado do cargo pela Fifa, quem assume a entidade é o vice mais velho.

Nunes está em Natal acompanhando a seleção brasileira, que na quinta-feira enfrenta a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Segundo a assessoria de imprensa da CBF, a reprovação das contas do dirigente deveria ser respondida pela Federação Paraense. O Estado procurou Nunes por meio da federação, mas a entidade não se pronunciou.

Mais conteúdo sobre:
Futebol CBF Ronaldinho Gaúcho

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.