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Antero Greco
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Tricolor golpeado

Corinthians e Santos divertiram-se no sábado, transformaram os desafios das quartas de final do Paulistão em demonstrações de superioridade e ficaram à espera de adversários para a semifinal. No domingo, seria a vez de o São Paulo seguir adiante. Seria. O glorioso tricolor enfrentou o Audax, em Osasco, e parecia governo a tomar surra em votação: perdeu por 4 a 1, com direito a baile, está fora da primeira disputa do ano e coloca pressão no jogo com The Strongest, no meio da semana, pela Libertadores.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

18 de abril de 2016 | 03h00

A rapaziada de Edgardo Bauza foi massacrada pelo Audax, que justificou o nome. Na verdade, abusou do atrevimento, ignorou a força da camisa rival, partiu para cima, dominou do início ao fim. Uma desfaçatez o que fizeram os moços de Fernando Diniz.

Não há atenuantes para a esborrachada de início de noite de domingo: o São Paulo repetiu erros que pareciam ter desaparecido após a magnífica apresentação diante do River Plate, voltou a oscilar, esteve desconjuntado, perdido. Fez uma sucessão de trapalhadas. A cada tentativa de reerguer-se, mais se enroscava: se recuava, o Audax ia pra cima; se buscava o contragolpe, levava sustos e gols, um atrás do outro. Enfim, um daqueles dias em que o melhor era nem ter saído de casa. 

O Audax sem estrelas, mas com conjunto, comportou-se como o grande, como quem sabia onde queria chegar e de que maneira. Garantiu a presença no bloco dos quatro melhores com sistema tão simples quanto eficiente. Demorou 27 minutos para abrir o placar, com Ytalo, levou o empate com Calleri pouco depois, mas foi para o intervalo com a vantagem de 2 a 1 e confiante.

A empolgação aumentou com Mike e Juninho, na etapa final. Bauza mexeu aqui e ali, quis empurrar o time para o ataque, com Kardec e Centurión e teve de conformar-se em acompanhar atuação com postura firme e elegante de uma equipe segura. Não lhe restou nada além de esperar o apito final.

Sair do Estadual não caracteriza tragédia tricolor; zebras acontecem e dão colorido ao futebol. No caso do Audax, o avanço também é consequência de trabalho, planejamento. Seria injusto e enviesado tirar-lhe méritos. A questão está nos eventuais desdobramentos que o resultado, pesado, possa ter sobre o grupo diante do The Strongest.

Ok que se trata de outra competição e, nela, o time precisa apenas de empate para ultrapassar a fase de grupos e ir para as oitavas de final. Não há como negar, porém, que vitórias ajudam a embalar, da mesma forma como derrotas abalam confiança, aumentam responsabilidade, colocam pressão. 

É o risco que o São Paulo corre a partir de agora. A gangorra mantém o ritmo incessante e faz com que fique sempre um ponto de interrogação a pairar sobre o grupo. A dúvida: o que esperar do duelo em La Paz? Tudo. Desde um time valente, como aquele diante do River, quanto o bando sem rumo da noite de ontem. Qual vai prevalecer?

MISSÃO VERDE

Não há meio-termo para o Palmeiras, o último do quarteto de ases do Paulistão a entrar em campo nas quartas de final. A obrigação é de vitória sobre o São Bernardo, hoje à noite, no Allianz Parque. Dia pouco comum para jogos, por estas bandas, o que reforça a necessidade de sucesso de Cuca e rapazes.

O técnico insiste na formação utilizada nos últimos jogos, tanto no plano doméstico como na Libertadores. Entende ter um bloco de titulares, com as opções imediatas já na ponta da língua. Não deixa de ser bom, pois muito se cobrava de Marcelo Oliveira a definição em torno da equipe. A contrapartida está em usar de bom senso e mudar, se houver falhas. Bobagem será “fechar o grupo” e ignorar os demais.

Cuca negaceia, dá voltas, desconversa, mas enfim guarda uma carta na manga, que atende pelo nome de Cleiton Xavier. O meia deixou ótima impressão na goleada sobre o River Plate uruguaio e há esperança de que, com tempo e regularidade, venha a ser o regente do meio-campo de que tanto o Palmeiras se ressente. Antes, cuidado hoje com a zebra. 

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