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Antero Greco
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Tricolores

Grêmio é o único tricolor que pode terminar a temporada de 2017 nas alturas

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 05h00

A temporada nacional se aproxima do encerramento e tricolores atraem atenção, por boas razões ou por insucesso. São Paulo e Fluminense enfim respiraram aliviados, no fim de semana, pois afastaram qualquer risco de queda na Série A. O Paraná festeja retorno à elite, depois de dez anos, enquanto o Santa Cruz, que caiu no ano passado para a B, agora desce outro degrau e vai para a C. E o Grêmio inicia hoje a decisão da Copa Libertadores em duelos com o Lanús.

Os são-paulinos passaram boa parte do ano com o coração na mão, diante da perspectiva medonha de fiasco inédito. Concorda comigo, amigo tricolor? Que sufoco! O time não engrenou de jeito nenhum. Até deu impressão de modernidade, na largada, sob comando de Rogério Ceni; fazia muitos gols e os levava também. Ok, mas era começo de trabalho, treinador debutante, ídolo da casa, aquela coisa. 

A desconfiança veio com desclassificações seguidas, no Paulista, na Copa do Brasil, na Sul-Americana. A situação ficou insustentável para Rogério com as derrapadas no Brasileiro. A trajetória toda como Mito, em duas décadas de casa, não lhe valeu nada – quer dizer, rendeu-lhe bolada expressiva como compensação pela dispensa.

Pintado quebrou o galho um pouco, até a chegada de Dorival Júnior, contratado com a missão de evitar o pior. E custou para a equipe ter o mínimo de equilíbrio para tirar os pés da lama. Foi uma gangorra de embrulhar o estômago e semanas no Z-4. A reação veio mais recentemente, na reta decisiva da competição, com sequência de vitórias suficiente para exorcizar os demônios do rebaixamento. Ufa!

A torcida apoiou o tempo todo e comemorou a guinada pra cima. Hernanes, a alma desse ressurgimento, se empolgou tanto que postou comentário efusivo em redes sociais. Entende-se a alegria do moço, que voltou do estrangeiro como caminho para a redenção e deu conta do recado. Esteve brilhante, dentro e fora de campo. Um líder. 

Mas, se há alívio, não deve haver ilusão. Tudo bem encher o peito de gritar, como mantra, “time grande não cai!”. Vale como desafogo e como cutucada para os rivais. No entanto, não é de hoje que o São Paulo flerta com situação constrangedora. Depois do tri no período 2006/07/08, embicou numa secura e numa inconstância desagradáveis. São noves anos de aridez, só interrompida com a Sul-Americana de 2012, aquela cuja final teve só meio- tempo? Lembra? Preocupante.

O São Paulo tem dificuldade em modernizar-se e confia demais na tradição, na camisa de peso enorme, que entorta varal. Uma hora o varal quebra. Precisa desde já iniciar planejamento para 2018, com definição de comissão técnica a elenco. Com seriedade, sem bravatas, que já foi o tempo em que o falecido Juvenal Juvêncio falava duas ou três frases de efeito, o pessoal gargalhava e fingia que não havia crise.

Perrengue parecido viveu o Fluminense, clube traumatizado com ladeira abaixo e ascensões. Abel Braga teve dificuldade com elenco de muitos jovens e constante irregularidade técnica. Por fortuna, Henrique Dourado teve ano extraordinário como artilheiro. O Flu carece de reformulação, talvez sem Abel, tentado por Internacional e Palmeiras.

 

​DECISÃO

Tricolor que pode terminar 2017 nas alturas é o Grêmio. Nesta noite faz a primeira parte da final com o Lanús, rival que desde o começo se comporta como franco-atirador e derrubou obstáculos de peso. A turma de Renato Gaúcho tem condições de abrir vantagem, de preferência por mais de um gol, e será necessária, pois o clima na volta vai pesar. O Grêmio possui elenco de ótima qualidade, que dispensaria espionar adversários com uso de drone, conforme revelou reportagem da ESPN/Brasil. Chato isso. 

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