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Trindade apostava no gol de goleiro

Os gols dos goleiros Lauro, da Ponte Preta, e Eduardo, do Atlético-MG, marcados nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro fazem lembrar a perseverança de um técnico que trabalhou nos anos 80 nas categorias de base de Botafogo e Olaria. Renato Trindade chegou a ser discriminado nos clubes por causa de uma de suas principais jogadas, ensaiadas em todos os treinos: o goleiro de sua equipe deveria avançar à area adversária para tentar fazer o gol, pelo menos duas vezes em cada partida. Ele orientava o time a não deixar desguarnecida a própria meta no momento da investida do goleiro, quase sempre quando havia um escanteio a favor de sua equipe ou falta próxima à área. Um zagueiro ficava a poucos metros da baliza, a fim de interceptar os chutões do adversário, em caso de um contra-ataque rápido, e um jogador de meio-de-campo permanecia no centro do gramado, com o objetivo de parar com falta uma eventual arrancada da outra equipe. A estratégia deu certo duas vezes, em jogos dos juniores do Botafogo e do Olaria. Os gols foram comemorados com entusiasmo pelo técnico. Mas a aversão à novidade e o receio de que a defesa ficaria mais vulnerável prevaleceram. RenatoTrindade acreditava na eficácia de sua jogada, mas era chamado de inconseqüente por dirigentes e torcedores dos clubes em quetrabalhou. Não teve vida longa em nenhum deles.No Botafogo, um percalço encurtou seu tempo de permanência no clube. Numa partida dos juniores do Alvinegro carioca, no final dos anos 80, no hoje abandonado estádio de Marechal Hermes, Renato Trindade ordenou ao goleiro que corresse para a outra área, quando o árbitro marcou escanteio para o seu time. Da tribuna dehonra, o ex-presidente do Botafogo Emil Pinheiro, de óculos escuros, acompanhou com apreensão a iniciativa. O goleiro não tocou na bola, o time adversário saiu rápido da defesa e na seqüência da jogada houve um pênalti para a equipe visitante, cometido pelo último homem do Botafogo, o zagueiro encarregado de fazer, em parte, o papel do goleiro. Emil Pinheiro,então poderoso banqueiro do jogo do bicho, esbravejou primeiro contra o árbitro. Depois do gol, voltou-se contra Renato Trindade.

Agencia Estado,

05 de agosto de 2003 | 09h23

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