Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Trio de Ferro desenferruja

Devagar, rodada a rodada, a trajetória dos paulistas no Brasileiro se parece com a de 2014. Assim como no ano passado, Corinthians e São Paulo se destacam como principais representantes do Estado. A dupla ficou na parte de cima no torneio anterior e repete a dose. Sobretudo após os resultados do fim de semana – e, o que é mais interessante, com futebol que lhes permite planos atrevidos. O Palmeiras corre por fora e se aproxima.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

13 de julho de 2015 | 03h00

O bom domingo paulista começou com a exibição matinal do São Paulo num Morumbi lotado. A turma de Juan Carlos Osorio seguiu à risca o roteiro de quem pretende fazer bonito em qualquer campeonato de que participa: não vacilar diante de adversário em fase ruim. Dito e feito, com 3 a 1 pra cima do Coritiba.

A lição, antiga, era repetida por Osvaldo Brandão, um dos mestres do futebol nacional. Na matemática dele, bater os pequenos significava abrir caminho para o título, porque se tratava de pontos irrecuperáveis. O equilíbrio ficava para os clássicos, com o ganha e perde habitual. Entenda-se “pequeno” como os clubes do Interior, na época em que os estaduais eram importantes. O raciocínio hoje se aplica a quem atravessa período ruim na Série A.

O São Paulo cumpriu o papel que lhe cabia, não decepcionou os 60 mil torcedores e mandou no jogo do começo ao fim. Livrou-se da tarefa praticamente no primeiro tempo, com os gols de Centurión e Pato, além de não dar espaço para os paranaenses se engraçarem. Rogério Ceni não tomou sustos. 

O treinador colombiano de novo mexeu na formação da equipe e se deu bem, como havia acontecido no meio da semana nos 4 a 0 no Vasco. Dessa vez, Rodrigo Caio, Hudson, Ganso, Centurión, Pato fecharam o meio, enquanto Luis Fabiano segurou zagueiros do Coxa. As jogadas saíram sem forçar e a superioridade se manteve na parte final. Até com algum relaxo, que permitiu ao Coritiba diminuir. Sem abalo, porque Pato fechou a conta. 

O São Paulo foi mais leve e ao mesmo tempo firme. Depois de abalos, na chegada de Osorio, se ajusta e toma rumo. Destoou, apenas, a reação de Ganso, que se recusou a estender a mão ao técnico ao ser substituído por Boschilia. Atitude no mínimo descortês – e não é o primeiro a fazer isso. Centurión e Michel Bastos já agiram assim. Uma conversa com eles só faria bem para todos nesta hora de reação.

Tão expressiva, ou até mais, foi a surra do Corinthians no Flamengo, à tarde, no Maracanã, com menos de 30 mil pagantes – uma ironia e uma decepção, por se tratar do confronto entre as duas maiores torcidas do Brasil. Tite conseguiu dar nova cara a um grupo que teve várias baixas e, se a equipe não enche os olhos, pelo menos recobrou a harmonia. Os 3 a 0 foram demonstração de segurança (não deu brecha alguma para o Fla) e de eficiência (aproveitamento quase total nas chances criadas). Retomou com justiça lugar entre a turma que luta por título.

O meio-campo foi a chave para a vitória, com a distribuição exata de tarefas de Bruno Henrique, Jadson, Elias, Renato Augusto e Malcom. Essa tropa marcou e apoiou na dose certa. Vagner Love esteve aquém, embora tenha colaborado como pivô. 

Os gols na primeira etapa, com Elias e Uendel, colocaram o Fla nas cordas. Jadson fechou o nocaute de um rival na zona de rebaixamento e que, por enorme carência, sentiu a falta de Sheik e Guerrero. A dupla ficou fora por “acordo de cavalheiros” entre as duas diretorias. Comemorou quem impôs tal condição, ficou a lamentar-se quem a aceitou.

Por minutos, o Palmeiras não fechou o domingo espetacular se juntou de vez a São Paulo e Corinthians. Até os 44 do segundo tempo, ostentava virada sobre o Sport, com atuação fantástica de Prass. Numa falha defensiva, permitiu a André fazer o gol do definitivo placar de 2 a 2. Com 22 pontos, está em sétimo lugar, porém não perde de vista a turma de cima e dá vida ao Trio de Ferro. O aspecto positivo foi a postura valente, quando perdia por 1 a 0. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.