Montagem/Estadão
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Trio em busca da taça: conheça as armas de Palmeiras, Santos e Flamengo no Brasileirão

Os três primeiros colocados da competição apostam em treinadores experientes para buscarem o título

Ciro Campos, Gonçalo Júnior, Guilherme Amaro, O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2019 | 11h55

A 12ª rodada do Campeonato Brasileiro começa no fim de semana com a disputa pela liderança da competição novamente em jogo e cada vez mais apertada. Após a derrota do Palmeiras para o Ceará, sábado passado, Santos e Flamengo se aproximaram do líder e agora sonham em desbancar o atual campeão nacional e antigo dono da marca de 33 partidas de invencibilidade.

Antes da rodada ter início, o Estado preparou um resumo sobre os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro com as explicações sobre como Palmeiras, Santos e Flamengo despontam como favoritos a ganhar a taça no fim do ano. Treinadores experientes, força estrangeira e elencos milionários estão entre os segredos para essas equipes figurarem na parte de cima da tabela.

PALMEIRAS

Manutenção do time e contratações pontuais. O Palmeiras mudou a estratégia no mercado para o início de 2019 e até agora tem conseguido se manter na liderança do Campeonato Brasileiro. Após o título do ano passado, a diretoria priorizou principalmente manter os principais jogadores. O atacante Dudu e o meia Bruno Henrique receberam propostas da China, mas ganharam aumento e renovaram contrato para ficarem na equipe.

A postura de segurar elenco e contratar algumas peças saiu caro. Apenas com renovações e reajustes salariais o Palmeiras aumentou cerca de R$ 1 milhão mensal a folha de pagamento. Até agora a equipe investiu cerca de R$ 100 milhões em contratações, parte delas na compra de nomes que estavam por empréstimo anteriormente, casos dos laterais Mayke e Marcos Rocha.

O reforço mais caro do ano, o zagueiro Vitor Hugo, foi trazido por R$ 23 milhões e aguarda a oportunidade para estrear. Para o segundo semestre, a diretoria trouxe sem custos da China o meia Ramires e o atacante Henrique Dourado. A aposta em nomes experientes é uma estratégia da diretoria para corresponder em campo a enorme expectativa por títulos. O principal objetivo é voltar a vencer a Libertadores depois de 20 anos.

Até agora a equipe construiu boas campanhas na temporada, apesar dos últimos resultados ruins. O Palmeiras continua líder do Campeonato Brasileiro e disputa a Libertadores com o status de ter feito a melhor campanha da fase de grupos. O ponto forte da equipe é a regularidade, exemplificada principalmente pela defesa. Em 38 jogos oficiais no ano, foram somente 15 gols sofridos.

A estabilidade de um clube que nos três últimos anos ganhou dois títulos brasileiros se explica pelo poderio financeiro. O aporte anual de mais de R$ 80 milhões da patrocinadora Crefisa garante tranquilidade financeira, além de já ter sido uma parceria responsável por conseguir também reforços. No ano passado o clube comemorou o superávit recorde de R$ 30 milhões nas contas.  

Outra arma do Palmeiras no faturamento e principalmente no Campeonato Brasileiro é o Allianz Parque. Responsável por atrair neste ano para jogos do Nacional uma média de 31 mil pagantes por jogo, a arena tem feito o time conquistar resultados melhores tanto dentro como fora de campo. Nenhum time da competição conseguiu arrecadar tanto com bilheteria como o clube alviverde. Até o momento, foram quase R$ 9 milhões de receita.

A forte retaguarda financeira e a estrutura para contratar se somam a um elenco poderoso. O técnico Luiz Felipe Scolari mostrou capacidade para fazer o time se manter invicto por 33 jogos no Campeonato Brasileiro e confia em jogadores renomados. O grande momento do goleiro Weverton, o poder de marcação de Felipe Melo e o capacidade de Dudu foram diferenciais na conquista do Brasileiro do ano passado.

SANTOS

O Santos sonha com o título brasileiro e com o feito de coroar o trabalho do argentino Jorge Sampaoli. Aos 59 anos, ele pode ser o primeiro treinador estrangeiro a garantir o título e para isso, confia em um futebol ofensivo, de velocidade e nos jogadores trazidos do exterior.

O último a se apresentar ao elenco foi o atacante Marinho. O clube pagou cerca de R$ 4 milhões ao Grêmio pelo atleta e tem visto o reforço se destacar. Ao contrário dos concorrentes diretos ao título, como Flamengo e Palmeiras, o time da Vila Belmiro não tem tantos recursos para arcar com contratações caras, porém monitora oportunidades de mercado em busca de opções adequadas às necessidades.

Jogadores estrangeiros como o uruguaio Sánchez, o venezuelano Soteldo, o paraguaio Derlis González e os colombianos Felipe Aguilar e Uribe fazem o clube ter hábitos um pouco diferentes. O idioma "portunhol" domina os treinos. A contratação mais cara da história do Santos também tem outra nacionalidade. O peruano Christian Cueva custou R$ 26 milhões é outro jogador do perfil desejado por Sampaoli: veloz e de movimentação.

O clube já foi eliminado tanto da Copa do Brasil como da Copa Sul-Americana, em derrotas duras, mas que agora dão ao Santos a vantagem competitiva de não ter outros torneios para conciliar com o Campeonato Brasileiro. Sampaoli tem mais tempo para trabalhar com o time em comparação ao colegas adversários, como o palmeirense Luiz Felipe Scolari e o flamenguista Jorge Jesus.  

Os fracassos em torneios eliminatórios mexeram com a diretoria. Após apostar em partidas no Pacaembu para ter mais bilheteria, o clube se decepcionou com as quedas em pleno Pacaembu e vai escolher a Vila Belmiro como o local para receber jogos no Campeonato Brasileiro. Apesar de ter uma média de público tímida como mandante, cerca de 13,2 mil, a equipe espera ter o torcedor mais perto para se manter firme na briga pelo título.

FLAMENGO

O Flamengo planejou investimento alto para 2019. Os valores gastos pelo clube em contratações somam aproximadamente R$ 200 milhões. No balancete do primeiro trimestre divulgado em junho, constam quase R$ 138 milhões em aquisições de jogadores. Nesta janela de transferências do meio do ano, o Flamengo já investiu mais R$ 49,7 milhões na compra do meia Gerson e R$ 5,4 milhões pelo zagueiro Pablo Mari, além das luvas para os laterais Rafinha e Filipe Luís.

Dos valores já divulgados no balancete do clube no primeiro trimestre, chamam a atenção os cerca de R$ 80 milhões para comprar o meia Arrascaeta do Cruzeiro, R$ 26 milhões para tirar o atacante Bruno Henrique do Santos e mais R$ 24 milhões para contratar o zagueiro Rodrigo Caio do São Paulo.

Os valores investidos em contratações neste ano superam os de 2018, quando o Flamengo desembolsou R$ 135 milhões. Foi o segundo clube que mais gastou com reforços no ano passado, atrás apenas do Palmeiras, com R$ 198 milhões.

O alto investimento refletiu rapidamente dentro de campo. Em abril, o Flamengo conquistou o Campeonato Carioca - já havia faturado a Taça Rio. A equipe rubro-negra foi eliminada pelo Athletico-PR nas quartas de final da Copa do Brasil e está nas oitavas da Libertadores da América.   

Ainda em maio, o então técnico Abel Braga sofria pressão por conta das atuações irregulares principalmente na Libertadores. O treinador pediu demissão e alegou "traição", indicando que a diretoria articulava sua saída. Ele foi substituído pelo português Jorge Jesus, que chegou para comandar a equipe rubro em junho, durante as paradas dos campeonatos para a disputa da Copa América.

Dentro das quatro linhas, os principais destaques do Flamengo são os reforços contratados neste ano. Gabigol, por exemplo, é o artilheiro do Brasileirão, com oito gols marcados. Bruno Henrique é o terceiro maior goleador do campeonato, com cinco gols, enquanto Arrascaeta balançou as redes adversárias quatro vezes.

A equipe tem o melhor ataque do Brasileirão, com 22 gols marcados - Palmeiras, segundo no quesito, tem 19. Nos 11 jogos disputados até agora, foram 162 finalizações do Flamengo, uma média de quase 15 por partida. Já a média de posse de bola rubro-negra neste Brasileirão é de 55% por confronto.

Nas arquibancadas, o Flamengo também tem conseguido bons resultados. O clube tem a melhor média de público do Brasileirão, com 47.178 pagantes por jogo. A média de renda por partida é de  R$ 1.450.649,00, atrás apenas de Corinthians e Palmeiras neste quesito.

 

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