Divulgação/Goiás
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Troca de técnicos começa mesmo antes do Brasileiro e atinge 40% dos times

A menos de uma semana do início, Atlético-MG, Goiás e Vasco continuam sem treinador

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2019 | 04h30

O Campeonato Brasileiro começa no próximo fim de semana e parte dos clubes ainda está em busca de contratar um técnico. A poucos dias da estreia, Atlético-MG, Goiás e Vasco estão sem treinador, enquanto apenas na tarde desta segunda-feira o Ceará anunciou Enderson Moreira para o cargo.

A tradicional ciranda de técnicos começou mais cedo. Em vez de os profissionais perderem o emprego depois de resultados ruins no início do Campeonato Brasileiro, agora foi a vez do ciclo de demissões ter início durante os Campeonatos Estaduais. Dos 20 times da Série A, oito já trocaram de técnico (40% deles) até agora na temporada.

As derrotas nas finais dos regionais custaram a demissão de três treinadores só no último domingo. Lisca foi desligado do Ceará, Alberto Valentim acabou demitido pelo Vasco e Mauricio Barbieri deixou o Goiás. Todos perderam a decisão para os principais rivais locais.

"Não faltou empenho e profissionalismo da minha parte. Deixo o clube com a certeza de que montamos um bom grupo e que ele tem condições de fazer uma campanha digna das tradições do Goiás no Brasileiro", disse Barbieri, que lamentou ter deixado o cargo após conseguir um aproveitamento de 73% dos pontos.

Outro clube com o cargo vago no comando é o Atlético-MG. A diretoria anunciou há dez dias a saída de Levir Culpi, logo depois de derrota por goleada por 4 a 1 na Copa Libertadores para o Cerro Porteño, no Paraguai. A solução para a lacuna deve ser tirar um treinador que esteja empregado em outra equipe. Depois de tentar sem sucesso conversar com Tiago Nunes, do Athletico-PR, a equipe vai negociar com Rogério Ceni, do Fortaleza.

"Nós vamos trabalhar dentro daquilo que for melhor para o Atlético, porque, se não for assim, vamos ter que trabalhar só com banco de dados de profissionais que estão, eventualmente, fora do mercado. Futebol nunca foi assim", afirmou o diretor de futebol do Atlético-MG, Rui Costa.

Quem também passou por trocas recentes no comando foram outros quatro times da Série A. O São Paulo afastou André Jardine em fevereiro e passou a contar com Cuca a partir de abril. A Chapecoense trouxe Ney Franco para substituir Claudinei Oliveira, o Bahia trocou Enderson Moreira por Roger Machado e o Botafogo escolheu Eduardo Barroca após demitir Zé Ricardo.

A solução para quem está o cargo de técnico vago pode ser recorrer justamente a quem perdeu emprego recentemente. O Ceará, por exemplo, apostou na contratação de Enderson Moreira, demitido pelo Bahia no fim de março. 

O Vasco tem como principal alvo Dorival Junior, que dirigiu o Flamengo no fim do ano passado, e Jair Ventura, desligado do Corinthians em dezembro. Outro nome cotado para essas equipes é o de Vanderlei Luxemburgo, sem clube desde o trabalho no Sport, encerrado em outubro de 2017.

EXCEÇÃO

O técnico mais longevo da Série A é Mano Menezes, do Cruzeiro, que está no cargo desde julho de 2016 e conquistou quatro títulos, com duas Copas do Brasil e dois Campeonatos Mineiros. Apenas nesse mesmo período o São Paulo, por exemplo, teve sete treinadores diferentes (Edgardo Bauza, Ricardo Gomes, Rogério Ceni, Dorival Junior, Diego Aguirre, André Jardine e Cuca).

A rotatividade intensa dos técnicos levou a CBF a propor para o Brasileiro deste ano o limite de apenas uma troca permitida no comando de cada uma das equipes ao longo da competição. A sugestão, no entanto, acabou recusada pela maioria dos clubes em votação realizada em fevereiro.

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