?Tropa de choque? ajuda Teixeira

Menos de 24 horas depois de lido o relatório da CPI da CBF/Nike que propõe o indiciamento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, por sonegação, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, os deputados da "tropa de choque" ligada ao dirigente já sabem como agir para suspender a medida. Na terça-feira que vem, na votação do requerimento, eles vão alegar num voto separado que Teixeira e outros acusados - como os presidentes de 21 federações de futebol e o sócio de Pelé, Hélio Viana - não poderiam ser investigados pela comissão. Os parlamentares argumentam que os trabalhos de apuração teriam de se restringir ao "fato determinante" que justificou a criação da CPI. Ou seja, ao exame do contrato assinado pela CBF com a Nike em 1996. "Os motivos da investigação não podem ser desviados", alegou o deputado José Rocha (PFL-BA). No entender do deputado José Lourenço (PMDB-BA), "de 15 a 16" integrantes da comissão defendem o mesmo argumento, o que significa que a estratégia será aprovada pela maioria da comissão, formada por 25 deputados. Pelas previsões de José Rocha, no final das contas vai restar "menos de 10 dos 33 indiciamentos" propostos pelo relator Silvio Torres (PSDB-SP). Deverão permanecer na lista de indiciados apenas os nomes dos implicados na falsificação de passaportes e de tráfico de jogadores menores de idade para o exterior. Eles tampouco têm relação com o motivo que justificou a criação da CPI, mas no caso - de acordo com os deputados - prevalecerá a "vontade política" da maioria da comissão. Rocha não acredita que o presidente da comissão, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), possa cumprir com a ameaça de impedir a votação do relatório para impedir que ele seja alterado. Segundo ele, uma iniciativa de tal porte implicaria numa "agressão ao regimento" que não seria tolerada pelos parlamentares. Lourenço justificou sua posição, alegando que defende Teixeira e outros porque o relator não tinha provas para acusá-los, embora Silvio Torres afirme que todos os fatos apurados foram devidamente comprovados. Ricardo Teixeira foi responsabilizado no relatório por 13 irregularidades, dentre as quais estão operações consideradas suspeitas de utilização de recursos da CBF na compra de ouro no exterior, a realização de empréstimos com juros acima do mercado, suspeita de lavagem de dinheiro e o recebimento ilegal da remuneração mensal de R$ 35 mil. O dirigente se defendeu, por intermédio de sua assessoria, dizendo que o "panfleto" de Silvio Torres se limitou a reunir um "amontoado de recortes de jornais" que não conseguem incriminá-lo em nenhuma irregularidade. "A única coisa que está provada é que não existe nada contra mim", alegou. A obstrução da oposição impediu hoje a aprovação no plenário do requerimento prorrogando o prazo da CPI, encerrado no último dia 29, até o dia 12. Técnicos da Câmara asseguram que o atraso não prejudicará a votação do requerimento, na terça-feira, já que a aprovação da prorrogação terá caráter retroativo.

Agencia Estado,

07 de junho de 2001 | 19h08

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