Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

Tudo muda. Nada muda

O futebol brasileiro é uma mãe, todos ganham novas chances de endireitar

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2018 | 04h00

A semana que deixamos para trás foi cheia de novidades, algumas boas outras nem tanto, dependendo do lado que você está. A semana que se abre promete reflexos e reflexões. Muitas coisas podem mudar. Há quem diga que nada mudará. O Palmeiras demitiu Roger e contratou Felipão. Ele volta a trabalhar no Brasil nesta semana. Debaixo de seu olhar, o time fez 3 a 0 no fraco Paraná neste domingo, no Allianz.

O que todo mundo quer saber é qual Felipão encara a terceira passagem pelo clube. Antes de chegar, ele agrada e desagrada na mesma proporção. Daí a dúvida sobre qual treinador assume o Palmeiras, o bom ou o ruim? O que ganha ou o que perde campeonatos? O que consegue tirar leite de pedra ou o que pede camarões? Tendo a achar que os técnicos não desaprendem. Tendo também a creditar não mais do que 20% do rendimento de um time ao sucesso do técnico. Gosto de pensar que são os jogadores que decidem as partidas e não o comandante. Felipão vai encontrar bons e maus jogadores. Atletas inteligentes e outros menos inteligentes. Sua tarefa é reunir esse grupo e mostrar a ele um caminho, um padrão e um jeito de jogar, tudo o que Roger não conseguiu – graças à impaciência da torcida e ao pulso frouxo da diretoria de futebol. Felipão é esperança para o presidente do Palmeiras erguer uma taça no ano.

Semana passada também houve o “sim” de Tite para a CBF. O treinador aceitou continuar no comando da seleção brasileira até a Copa do Catar. Da mesma forma, teve gente que gostou, teve gente que não gostou. Gostei da decisão de se continuar um trabalho, como fizeram Alemanha e França, por exemplo, os dois últimos campeões mundiais. O que temo é Tite continuar sendo o Tite da Rússia. Esse não serve. Esse vai nos deixar de novo na mão. Esta semana, ele reassume suas obrigações já pensando nos dois amistosos que o Brasil fará em setembro (7 e 11) nos Estados Unidos. As partidas abrem o novo ciclo da seleção até 2022.

Em breve uma nova lista de convocados será apresentada. Muitos que estiveram na Rússia serão chamados. Alguns outros devem aparecer. Mais do que nomes, o Brasil precisa encontrar um jeito mais produtivo de jogar, menos amarrado, menos gaúcho, e mais alegre, solto, objetivo e, claro, competente. Nada disso dará certo se o nosso melhor jogador, Neymar, não crescer.

A propósito, Neymar esteve envolvido com a terceira notícia de impacto da semana passada que certamente dará o que falar quando ele recomeçar a jogar no Paris Saint-Germain, mesmo time do francês Mbappé, revelação da Copa do Mundo e seu amigo. O brasileiro não foi apontado entre os dez melhores do planeta para a escolha da Fifa, em votação até setembro. Portanto, Neymar amarga três fracassos na temporada: não ganhou a Liga dos Campeões com o PSG, não ganhou a Copa do Mundo com o Brasil e não vai brigar para ser o melhor jogador do mundo. No meu modo de ver, sua atuação “folclórica” na Rússia foi determinante para afastá-lo da possível conquista individual, assim como a eliminação precoce do Brasil.

De modo geral, esses três personagens, Felipão, Tite e Neymar, ainda têm a faca e o queijo nas mãos, e só depende deles mudar ou não nesta retomada. O futebol brasileiro, como digo, é uma mãe para seus personagens. Todos têm novas chances.

ROMERO

Quem torcia o nariz pelo atacante corintiano, como eu, é bom repensar sobre a qualidade de Romero, ao menos nesta temporada. Ele fez cinco gols nos últimos dois jogos. E ponto. Não é craque, mas tem sido eficiente. E foram gols de vitórias importantes para o time. Da mesma forma, o volante Bruno Henrique, com quatro gols em três partidas, tem ajudado bastante o Palmeiras no Brasileirão.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.