Tumulto antes do jogo da Seleção

Uma hora e meia antes de o jogo do Brasil com a Venezuela começar, ninguém mais entrava no Estádio Jose Encarnacion Panchecho Romero. Muita gente com ingresso nas mãos, pais com crianças, grupos de amigos, pessoas idosas; não havia como chegar nem perto dos portões de acesso ao estádio. O tumulto era tão grande que policiais de Maracaibo ameaçavam agredir o público com cassetetes. Muitas vezes, eles continham a multidão aos empurrões. Cães adestrados compunham o cenário e afastavam os torcedores mais exaltados, que exibiam em vão os ingressos.O jogo foi um misto de festa esportiva e política. Em 1º de novembro vai haver eleição para escolha do prefeito de Maracaibo e também do governador de Zulia, estado cuja capital é a cidade que abrigou a partida de ontem. E nas proximidades do estádio, junto com as camisas da Venezuela, havia uma oferta grande de brindes de cabos eleitorais.Bonés, camisetas, fitinhas com o nome dos candidatos misturavam-se com os produtos à venda, relativos ao jogo das Eliminatórias do Mundial de 2006. Grupos de correligionários entoavam canções que faziam referência a seus candidatos e ao futebol venezuelano.Entre os vendedores ambulantes, destacavam-se alguns que negociavam liquidificadores, em vez de bebidas ou algo para comer. Eles circulavam entre os carros parados no congestionamento com cinco, seis, às vezes sete exemplares da mercadoria. Curioso para os brasileiros é que os liquidificadores tinham boa saída. Nas ruas ao redor do estádio também havia muitos cambistas. Alguns quase entravam nos veículos para fazer negócio. Jornalistas venezuelanos suspeitavam que vários ingressos foram falsificados. Isso explicaria em parte o tumulto fora do estádio.HISTERIA - A saída da seleção brasileira do Hotel Del Lago mobilizou um grande contingente de policiais. No hall do hotel, mais de 150 hóspedes, atrás de um cordão de isolamento, ficavam à espera do elevador. Quando a porta se abria e eles identificavam os jogadores do Brasil, ouvia-se uma gritaria. Pessoas subiam em poltronas e nos sofás para registrar o rápido momento com fotografias. Os atletas não desciam no térreo, onde se concentrava a pequena multidão, mas num pavimento inferior, de onde seguiam direto para o ônibus da delegação.Do lado de fora, uma nova aglomeração se formava, perto do portão do estacionamento do hotel. Enquanto os batedores da polícia se postavam para dar início ao percurso até o estádio, crianças e adolescentes corriam na frente do ônibus. Eles acenavam para os atletas. Meninas choravam com cartazes em que manifestavam sua afeição por Kaká, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Muitos torcedores vestiam camisas com os símbolos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação de Futebol da Venezuela. Foram confeccionadas especialmente para o jogo.PALIATIVO - Mais cedo, várias horas antes da partida, funcionários da prefeitura de Maracaibo tentavam melhorar o estado do gramado do Estádio Jose Encarnacion cobrindo os buracos com areia. Um temporal, por volta do meio-dia, estragou o trabalho deles. Outra deficiência notada no local da partida foi a inexistência de telefones públicos.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2004 | 22h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.