REUTERS/Mihai Barbu
REUTERS/Mihai Barbu
Imagem Robson Morelli
Colunista
Robson Morelli
Conteúdo Exclusivo para Assinante

'Somos todos Ucrânia', em partida contra a Escócia pelas Eliminatórias da Copa do Catar

País destroçado pelo exército russo coloca sua seleção em campo para tentar vaga no Mundial; o futebol pode dar uma lágrima de alegria ao povo ucraniano, que deixou sua casa para poder sobreviver por causa da guerra

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 09h42

Somos todos Ucrânia, com perdão ao amigo escocês Jonny, que mora em Londres, mas é brasileiro mais do que muitos nascidos no País, fã de churrasco e caipirinha. A seleção de futebol do país invadido pela Rússia, de Vladimir Putin, joga nesta quarta-feira sua sorte na Copa do Mundo do Catar, contra a Escócia. Não é uma partida definitiva porque haverá outra contra País de Gales para, aí sim, assumir um posto entre as 32 seleções que estarão no Catar em novembro deste ano, tomara já com o fim da guerra.

É difícil ficar indiferente aos acontecimentos. Poucos imaginavam que o mundo permitiria uma guerra nos dias atuais, uma guerra armada, com tanques e soldados, com mortes e invasões, com civis sendo "expulsos" de suas próprias casas, famílias inteiras despedaçadas e com medo. Inimaginável com tanto avanço da humanidade e, principalmente, aprendizado de outros conflitos da mesma forma condenável. Mas a guerra está nas ruas da Ucrânia, o que fez com que seu futebol e sua seleção desaparecessem.

O futebol nacional foi encerrado sem campeão, com os jogadores sendo liberados para sobreviver. Alguns brasileiros voltaram para o Brasil. A seleção nacional também se desmobilizou e teve sua sorte adiada nas Eliminatórias da Europa, em jogos que eram para ter acontecidos em março e foram empurrados para junho, imaginando todos que até lá a guerra acabaria. Não acabou. Os tanques continua nas ruas das principais cidades da Ucrânia.

Então, neste mês de maio, a seleção de futebol da Ucrânia treinou na Eslovênia para tentar avançar na Copa. Fala-se em dar uma lágrima de alegria ao povo com a vitória. Daí a torcida para os ucranianos. Apenas os escoceses, naturalmente, devem segurar esse sentimento de que "todos somos ucranianos". Vencer os jogos teria um significado simbólico, não mais do que isso, para o país arrasado pelo exército soviético. É do ser humano torcer para o mais fraco, para o desafiante em condições inferiores. Aquele sentimento de superação pega a todos pelo nó na garganta. Talvez seja assim que o mundo esportivo esteja se sentindo em relação a essa partida.

A Rússia foi banida da Copa, logo ela que quatro anos atrás abria sua porta e apertava as mãos de todos os líderes mundiais com o Mundial da Fifa em seu quintal, vencido pela França, de Mbappé. Ah, se soubéssemos!!! Estive em algumas de suas lindas cidades e diante de um povo trabalhador e não muito sorridente. Agora, o mundo se volta contra o país que nos libertou dos domínios alemães na Segunda Guerra. Vai entender!

O fato é que o futebol poderá dar o recado nesta quarta-feira, numa partida cheia de emoção e quer vai certamente chamar a atenção do mundo esportivo, mas não somente dele. Uma vitória poderá dar muitos recados. Uma derrota será entendida plenamente. O jogo será em Glasgow e terá homenagens antes de a bola rolar. Aos escoceses resta fazer o seu papel: jogar. O melhor ato de respeito diante de um país destroçado é tratá-lo como igual. Somos todos Ucrânia!  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.