Uefa desafia a Fifa e mantém Platini como candidato

Entidade vai levar Fifa ao Tribunal Arbitral dos Esportes e não escolhe novo presidente

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 13h26

A Uefa desafia a Fifa, mantém Michel Platini como seu candidato à presidência da entidade máxima do futebol e não escolhe sequer um novo presidente, apesar da suspensão de 90 dias imposta pela Fifa. Os europeus ainda prometem levar a Fifa ao Tribunal Arbitral dos Esportes, a corte suprema. A atitude é uma demonstração de força do bloco que controla de fato as finanças do futebol mundial e que já não exclui esvaziar a Fifa de sua influência.

Depois de um dia todo de reuniões na sede da Uefa em Nyon, os cartolas europeus anunciaram que darão "apoio total" ao francês. Platini foi suspenso depois que o Comitê de Ética da Fifa estimou que ele não teria dado explicações suficientes sobre US$ 2 milhões que recebeu de Joseph Blatter, em 2011.

O pagamento levou o Ministério Público da Suíça a abrir uma investigação contra Blatter e questionou Platini na condição de "pessoa de interesse". A Uefa insistiu que ele teria sido ouvido apenas como testemunha, o que foi negado pelas autoridades de Berna. O francês alegou que o dinheiro teria sido um salário atrasado, relativo a serviços prestados nove anos antes. Mas sua explicação não convenceu o Comitê de Ética que o suspendeu. Na prática, isso implicaria em seu afastamento de qualquer tipo de campanha para a presidência e sua postulação poderia inclusive ser rejeitada. O afastamento também significaria que a Uefa teria de buscar um novo presidente.

Mas a entidade do futebol europeu optou por esnobar a Fifa. Platini continua sendo o candidato dos 54 países do continente e não haverá por enquanto um novo presidente da Uefa. O espanhol Angel Villar Llona, o atual vice-presidente do bloco europeu, passará a ter poderes para assinar documentos e administrar a entidade. Mas não ganhará o título de presidente interino.

"Villar não é o presidente interino nem o atual presidente", explicou Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa. O espanhol, porém, comandou as reuniões, mas ainda na condição de vice-presidente. "No estatuto da Uefa, não há nada que diga que alguém precisa ocupar esse cargo enquanto o presidente não estiver", disse. Advogados de Platini explicaram os pagamentos aos 54 membros da Uefa e, ao final, emitiu um comunicado. "Apoiamos o direito de um processo justo e para que Platini possa limpar seu nome", declarou a comunicação. "Pedimos a todas as instâncias na Fifa e no Tribunal Arbitral dos Esportes a trabalhar rapidamente para que haja uma decisão em um mês", insistiu.

Infantino garantiu que houve um amplo apoio ao francês e a não condenar alguém "por conta de artigos de imprensa". "Todos apoiaram Platini como um indivíduo, o que fez pelo futebol europeu", declarou o secretario-geral. "Quem definirá isso será uma corte", insistiu, sem dar detalhes sobre a origem do dinheiro.

RACHA

A atitude é considerada como uma demonstração de rejeição às decisões tomadas pela Fifa, o que abre a especulação sobre um eventual racha no futebol mundial. Apoiada pela Conmebol, a Uefa não esconde que a crise na Fifa poderia levar as duas entidades continentais a buscar um entendimento para esvaziar o grupo com sede em Zurique e comandado até pouco tempo por Blatter.

O racha já preocupa patrocinadores que, por contratos milionários, estão ligados aos Mundiais de 2018 e 2022. Televisões ainda tem contratos com a Fifa para a Copa de 2026. Agora, querem saber o que ocorrerá com seus compromissos e investimentos.

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