Uefa faz alerta sobre ?doping financeiro?

As novas exigências financeiras da Uefa (União das Associações de Futebol da Europa) para os clubes poderão gerar uma queda na imigração de jogadores brasileiros para as ligas européias e, de certa forma, fortalecer o mercado do futebol no País. A avaliação é do diretor-executivo da Uefa, Lars-Christer Olsson, que assumiu o cargo em janeiro e que ficará com a responsabilidade de garantir que as regras da Uefa sejam aplicadas a partir de meados deste ano.Pelas novas exigências, os clubes terão que provar que estão com sua situação financeira em dia para participarem das competições na Europa. Olsson, em entrevista à Agência Estado, afirma que isso forçará os clubes europeus a pensarem duas vezes antes de trazerem mais uma estrela ou de adquirir um jovem atleta sem saber exatamente qual será seu retorno. "Tivemos uma espécie de doping financeiro sendo praticado por clubes europeus. A nova lei, portanto, pode reduzir (a imigração de jogadores) e ter um efeito positivo para a América do Sul", explica o executivo do futebol europeu.Nos últimos anos, clubes europeus passaram a comprar jogadores sul-americanos nem sempre para utilizá-los, mas sim para revendê-los ou emprestá-los por preços mais elevados a outros times europeus. Para Olsson, essa realidade provavelmente será modificada com a entrada em vigor da nova legislação, que já está exigindo uma grande reforma do futebol europeu.O diretor da Uefa, porém, alerta que o principal motivo que possibilitará que jogadores brasileiros não deixem o País será quando os clubes nacionais derem melhores condições a seus atletas. "Na América do Sul, houve uma queda no mercado financeiro no futebol nos últimos anos. Se esses campeonatos quiserem gerar maior interesse e fortalecerem o mercado local terão que voltar a contar com suas estrelas", afirma.Qualidade - Olsson reconhece que os jogadores brasileiros e outros sul-americanos foram um dos motores que possibilitou o aumento da qualidade dos campeonatos europeus nas últimas décadas. Segundo ele, essa imigração acabou tornando as competições do Velho Continente superiores aos campeonatos nacionais da América do Sul. "Em geral, os clubes europeus são de melhor qualidade que os clubes sul-americanos", afirma. O diretor da Uefa, porém, admite que, entre as grandes equipes das duas regiões, existe um "forte equilíbrio".

Agencia Estado,

01 de março de 2004 | 16h28

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