AP Photo/Christophe Ena
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Liga dos Campeões: cerca 2.800 ingressos falsos foram apresentados por torcedores na final

Decisão entre Liverpool e Real Madrid começou com quase 40 minutos de atraso por causa de uma confusão generalizada do lado de fora do estádio, com dezenas de pessoas invadindo o Stade de France

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 14h53

A Uefa e a Federação Francesa de Futebol (FFF) calcularam que 2.800 ingressos falsos foram escaneados durante a final da Liga dos Campeões da Europa, entre Liverpool e Real Madrid, vencida pelo time espanhol por 1 a 0, no sábado. Segundo a agência de notícias AFP, uma fonte ligada ao caso confirmou a informação.  

As entidades chegaram a esse número na reunião desta segunda-feira com as autoridades francesas para analisar os motivos do caos registrado nos arredores do Stade de France durante a entrada dos torcedores. Entre os 2.800 bilhetes escaneados, segundo a rádio RMC Sports, pode haver ingressos verdadeiros que não foram lidos corretamente, de acordo com o advogado Pierre Barthélémy, consultado pela AFP.

O ministro do Interior da França, Gérald Darmanin, atribuiu o caos a uma "fraude massiva" de ingressos e que "entre 30 mil e 40 mil" torcedores ingleses estavam presentes nos acessos ao estádio com bilhetes falsos. A justiça francesa tenta esclarecer essa suposta fraude, que também pode ser um dos pontos da investigação independente da Uefa sobre os incidentes.

"As investigações estabelecerão com exatidão o que aconteceu, os volumes, o tráfico ou não tráfico" de ingressos falsos, disse a ministra de Esportes da França, Amélie Oudéa-Castéra. As autoridades do país estão no centro das atenções pelo caos, os roubos e as cenas de pânico registradas no sábado, especialmente por Paris ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2024.

Pedido de desculpas

A confusão provocada antes do início da decisão revoltou a diretoria do Liverpool. Nesta terça-feira, o clube exigiu um pedido de desculpas por parte das autoridades francesas, que atribuíram aos torcedores britânicos a culpa pelos incidentes. Diversos ingleses que compareceram em Paris para acompanhar a decisão não conseguiram entrar no estádio, ou só entraram no segundo tempo, mesmo com ingresso para a partida. 

Tom Werner, presidente do Liverpool, indignado, assim como milhares de torcedores do clube, escreveu à ministra francesa dos Esportes, Amélie Oudéa-Castera, para reclamar e a carta foi publicada pelo jornal Liverpool Echo. No texto, ele expressa a "absoluta incredulidade" pelo fato de a ministra ter feito uma "série de acusações não comprovadas sobre um assunto tão importante", mesmo antes de uma investigação independente. 

As acusações reviveram para os torcedores do Liverpool as lembranças terríveis da tragédia de Hillsborough, que em 1989 provocou as mortes de 97 pessoas em um grande tumulto. Os torcedores dos 'Reds' foram considerados culpados por anos, antes que a justiça reconhecesse as decisões equivocadas da polícia.

O Liverpool pediu aos torcedores que compareceram à partida que compartilhassem suas experiências em um formulário disponibilizado online para contribuir com a investigação. Outros problemas de segurança apontados pelos torcedores do Liverpool e do Real Madrid foram os roubos nas proximidades do estádio. Os seis indivíduos eram os últimos sob custódia policial pelos eventos ocorridos perto do Stade de France, que provocaram a detenção de 48 pessoas no sábado, incluindo um "número significativo" de menores de idade.

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