UEFA não quer mais fumantes em campo

O futebol e o fumo formam uma péssima combinação, e a Uefa decidiu acelerar a separação. Na reunião do Comitê Executivo da entidade, dias 10 e 11, em Nyon, na Suíça, será debatida a proposta de proibir que treinadores e auxiliares fumem na área técnica dos bancos de reservas. Se a proposta for aprovada, a imagem de muitos técnicos fumando desesperadamente durante os jogos sumirá para sempre. Também será o passo mais importante dado pelo futebol contra o fumo desde 1986, quando a Fifa excluiu fabricantes de cigarro do grupo de patrocinadores da Copa do Mundo. No Mundial da Coréia do Sul e do Japão, a Fifa recebeu prêmio da Organização Mundial de Saúde (OMS) por não permitir fumantes nos estádios. "Temos um objetivo comum: eliminar o fumo de todos os esportes", disse Gro Harlem Brundtland, diretora-geral da OMS. Mesmo assim, a Fifa não pôde evitar que os treinadores fumassem durante os jogos, imagem que a OMS considera prejudicial na campanha para alertar os jovens sobre os riscos do tabaco. Oito em cada dez fumantes começam a consumir cigarros entre 12 e 18 anos. No Mundial de 98, na França, a Fifa já havia recebido pedidos de organizações de saúde para que proibisse as comissões técnicas de fumarem, mas a entidade argumentou que não podia interferir na liberdade das pessoas - entretanto, recomendou aos treinadores que pelo menos escondessem os cigarros das câmeras de tevê enquanto estivessem fumando. O problema é que muitos deles aliviam o nervosismo fumando, apesar do alerta de especialistas de que a tensão do banco de reservas aliada ao tabaco pode ocasionar problemas cardíacos. Alguns treinadores foram exemplos de fumantes inveterados, como o russo Oleg ROmantsev, que chegou a consumir dois maços de cigarro durante a vitória de seu time, o Dínamo de Moscou, sobre o Real Madri, por 2 a 1, em 1998, pela Liga dos Campeões. Alguns foram obrigados a deixar o vício por razões de saúde, como Johan Cruyff, depois que superou problemas cardíacos. A saída encontrada pelo holandês: substituiu o cigarro por um pirulito. O argentino César Menotti também acalma a ansiedade com caramelos. "Cheguei a comer dois pacotes por jogo, feito um idiota", disse, em 2002, quando dirigia o Rosário Central. A Uefa parece disposta a acabar de vez com o problema. Se for adiante, será comum, no futuro, ver treinadores atacando pacotes de guloseimas. O doce conseguirá derrotar a nicotina?

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.