Stefan Wermuth | Reuters
Stefan Wermuth | Reuters

Uefa pensa em mudanças na Liga dos Campeões: 36 clubes, classificação via ranking e sistema suíço

Entidade pensa em ter mais rodadas na primeira fase, que teria modelo diferente do atual; ligas nacionais expressam preocupação

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2021 | 16h01

A Uefa pensa em realizar diversas mudanças em seu principal torneio de clubes, a Liga dos Campeões, a partir de 2024, ano em que termina o acordo atual com os clubes para o formato do torneio. A entidade europeia pensa em aumentar o torneio, tendo 36 equipes na fase de grupos, incluir a classificação por ranking e adotar o 'sistema suíço' para determinar os confrontos. As ligas nacionais demonstraram preocupação com as mudanças em reunião com a Uefa e a European Clubes Association, grupo que reúne 232 dos principais clubes do continente.

O sistema suíço funciona da seguinte forma: Há um número pré-determinado de rodadas, neste caso, 10. Dois participantes não se enfrentam mais que uma vez. Na primeira rodada, a definição dos confrontos é feita através de sorteio. Nas demais rodadas, participantes com pontuações iguais são emparceirados (quem venceu na primeira, enfrentaria quem também venceu, por exemplo). Caso não seja possível emparceirar participantes com o mesmo número de pontos o confronto será com o concorrente com pontuação mais próxima possível, e assim em diante até o fim desta fase. É um sistema muito utilizado no xadrez.

A ideia seria fazer com que houvessem mais jogo entre grandes times, atraindo visibilidade para o torneio. Segundo a Uefa, é uma mudança menos radical que outras ideias, como a de Andrea Agnelli, presidente da Juventus, que propôs um formato com liga fechada, acesso e rebaixamento em 2019. A entidade também tenta afastar as negociações por uma 'Superliga Europeia', um torneio de pontos corridos envolvendo apenas os maiores de cada país, que times como o Manchester United e o Barcelona veem com bons olhos.

Outra mudança seria a classificação para o mata-mata: os oito primeiros colocados se classificariam automaticamente, enquanto os 16 seguintes se enfrentariam em um playoff, como a rodada de 'wild cards' da NFL. A partir de então, oitavas, quartas, semi e final seriam disputadas da forma tradicional.

Essas mudanças aumentariam o número de jogos do torneio, e países como a Inglaterra, que tem calendários muito grandes com competições internas, expressaram preocupação. O grupo European Leagues, que reúne 37 ligas de 30 países diferentes, se reuniu na sexta-feira para discutir as propostas. Embora tenha gostado de alguns aspectos propostos, o grupo mostrou preocupações sérias com outros. “O European Leagues levantou grandes preocupações sobre mais rodadas em um sistema tão flexível em um calendário já muito congestionado”, afirmou, em comunicado.

A ideia de utilizar o ranking levando em conta o histórico de resultados para classificar três times também não agradou. Assim, clubes como Milan, Manchester United ou Real Madrid teriam uma chance extra de se classificarem. As ligas preferiam que estas vagas fossem utilizadas para campeões de países que hoje não tem vagas diretas. Ainda houveram preocupações com a redistribuição do dinheiro entre os participantes.

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