Última chance

Palmeiras precisa ganhar o clássico com o Corinthians se quiser seguir lutando pelo título brasileiro

O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 03h00

Há consenso de que a briga pelo título brasileiro reabriu com a queda brusca no desempenho do Corinthians no segundo turno. Correto. Descida combinada com ascensão de concorrentes, sobretudo o Palmeiras, rival temido por alvinegros. (O Santos continua a correr por fora.) Procede.

Mas, para que essa tendência se mantenha nas rodadas restantes, impõe-se condição necessária, suficiente e praticamente incontornável: a turma verde precisa ganhar o duelo deste domingo em Itaquera. Com cinco pontos a menos que o líder, o atual campeão joga a última cartada lógica na aposta por reviravolta.

A conta é simples, e sei que o amigo leitor está por dentro. Jamais desdenharia de sua capacidade. Por preciosismo, se me permite, repito aqui: o Corinthians tem 59 pontos, contra 54 do Palmeiras. Vitória levará os palestrinos a 57 – portanto, ainda dois atrás do topo. No entanto, crescerá a possibilidade de a vantagem desaparecer nas seis jornadas até o fim da temporada. Em resumo: estará no páreo.

As outras duas alternativas são muito favoráveis ao Corinthians, embora até a derrota não signifique desastre total, porque ainda dependerá só dos próprios esforços. Vamos lá: empate deixa corintianos com 60 pontos, contra 55 dos adversários. Triunfo levará o pessoal de Fábio Carille a 62 pontos, oito à frente da rapaziada de Valentim e com mais 18 apenas em disputa.

Daí, a vaca palmeirense caminhará placidamente para o brejo do sonho frustrado. Só milagre conjugado de San Gennaro e da Madonna de Achiropita para mudar a situação. E os santos têm mais a fazer do que cuidar de quem não mostra competência.

Por isso, o Dérbi paulista, no ano em que completa o primeiro centenário, tem relevância acima do normal – como se cada vez em que se realizasse já não fosse uma história à parte no futebol. É decisivo, para mexer com a adrenalina de duas torcidas extraordinárias. E para desencanto dos que martelam na tecla de que pontos corridos são monótonos, não valem nada, etc.

Ambas as equipes chegam à Hora H tensas, impossível negar. O Corinthians pela instabilidade no returno, traduzida em 6 derrotas, 3 empates e 3 vitórias. Não adianta Carille, dirigentes, jogadores afirmarem que está tudo na santa paz. A preocupação é real, e aparece até na provável escalação.

Carille deu a entender durante a semana que Clayton e Jadson devem transformar-se em “opções” no clássico. Quer dizer, vão para o banco. Com Clayson e Camacho, espera ter mais equilíbrio na marcação e velocidade na armação de contragolpes. A dupla candidata a sair de fato caiu muito na segunda parte da competição, mas há outros na lista: Arana, Rodriguinho, Fagner (dúvida), Gabriel, Romero não são os mesmos de antes. Na verdade, se salvam na turbulência atual Cássio, Balbuena, Jô. Pablo voltou há pouco...

O Palmeiras tampouco topa com maré mansa. É bem menos frágil do que na decepcionante volta de Cuca, acumulou 10 pontos em quatro jogos sob orientação de Valentim. No entanto, falta a faísca de campeão que mostrava em 2016. Tem consciência de que só a vitória salva.

Como está o provável time titular? Prass recobrou a confiança de sempre, e o mesmo não ocorre com Mayke, Juninho e Egídio, companheiros de defesa. Edu Dracena compensa velocidade menor com boa antecipação. Tchê Tchê reagiu, apesar de não ser o motorzinho do ano passado. Moisés está em boa fase, enquanto Bruno Henrique busca afirmação (Thiago Santos surge como alternativa). Dudu é a referência do time, Borja renasceu e Keno acelera o jogo, embora às vezes se encolha. (William pode ser a surpresa.)

Dois times que se assemelham, o que torna difícil prognósticos. Mas para um, repito, é a última chance.

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