EFE
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'Ultras' envolvidos em morte de torcedor em Madri são presos

Integrantes das facções Frente Atlético e Riazor Blues são detidos pela polícia espanhola. Suspeita-se de mais de 200 envolvidos

O Estado de S. Paulo

04 de dezembro de 2014 | 11h36

Vinte e um integrantes das torcidas organizadas 'ultras' de Atlético de Madri e Deportivo La Coruña foram presos nesta quarta-feira, acusados de participar da confusão que acabou matando o torcedor Francisco José Romero Taboada, de 43 anos.

O conflito aconteceu às vésperas da partida entre as duas equipes pelo Campeonato Espanhol, nas imediações do estádio Vicente Calderón, em Madri. Cerca de 200 torcedores, armados com paus, pedras e barras de ferro, são acusados de estar envolvidos no ato que ocasionou uma morte e deixou 11 pessoas feridas - inclusive um policial.

A antipatia entre as duas torcidas tem cunho político. Os colchoneros do 'Frente Atletico' se declaram como uma torcida de extrema direita, enquanto a Riazor Blues, do La Coruña, é de extrema esquerda. O primeiro combate entre as duas facções ocorreu no fim da última temporada, quando torcedores do Atlético comemoravam o título espanhol nas ruas de La Coruña.

O Atlético de Madri já se posicionou sobre o caso e revelou que a Frente Atlético deixou de ser uma torcida oficial do clube - o que tem forte impacto financeiro sobre a facção. O clube pediu ajuda de governo, imprensa, polícia e torcedores para identificar o grupo e já deixou avisado que fará de tudo ao seu alcance para impedir a exibição de marcas relacionadas aos neonazistas dentro de seu estádio.

Francisco José Romero Taboada, ou 'Jimmy', como era conhecido dentro do grupo anarquista do Riazor Blues, morreu após ser atirado dentro de um rio e pedir socorro por cerca de meia hora. Além do afogamento, ele sofreu um choque cranioencefálico por conta de golpes que sofreu antes de ser jogado na água. Há a suspeita de que ultras de outros clubes tenham tido participação no conflito.

RESPOSTA DA LIGA ESPANHOLA

O presidente da Liga Espanhola de Futebol (BBVA), Javier Tebas, ressaltou nesta quinta-feira que os clubes devem se comprometer a erradicar os grupos de torcedores violentos de suas fileiras mediante o risco de serem multados ou sofrerem punições mais graves se não enquadrarem na política de combate as estes tipos de seguidores.

Tebas informou que pretende elaborar uma lista de clube que colaboram com as ações dos ultras e irá propor sanções a estes times, entre as quais a "perda de pontos ou rebaixamento".

Representantes da Liga BBVA, que organiza a primeira divisão do Campeonato Espanhol, da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) e da comissão de segurança do esporte no país se reuniram nesta quinta-feira para "consolidar a estratégia para remover os ultras de nossos estádios", disse Tebas.

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