Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Um ano depois, lembre 10 histórias marcantes da Copa de 2014

No dia 12 de junho do ano passado, Brasil estreava contra a Croácia

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2015 | 12h43

Há exatamente um ano, o dia 12 de junho de 2014 marcava um dos momentos mais aguardados por todos os brasileiros que gostam de futebol: o início da Copa do Mundo do Brasil. Apesar dos muitos questionamentos levantados e do turbilhão político em volta da competição, pode-se dizer que o país organizou uma das melhores e mais emocionantes Copas já realizadas.

Naquele 12 de junho, o Brasil enfrentava a Croácia na Arena Corinthians, em São Paulo, e vencia de forma sofrida por 3 a 1. Àquela altura, poucos imaginavam a infinidade de momentos inesquecíveis que a competição proporcionaria: a mordida de Suárez, o gol de James Rodríguez contra o Uruguai e o 16º gol de Klose em Mundiais foram alguns exemplos. Além, é claro, da derrota mais vexatória da seleção brasileira em todos os tempos.

Confira, abaixo, uma seleção de 10 momentos marcantes do Mundial do Brasil, que completa um ano nesta sexta-feira.

Festa nas ruas

Como é tradição em Copas do Mundo, o Brasil recebeu uma multidão de pessoas de todos os cantos do planeta para prestigiar o evento e, é claro, aproveitar a festa com a torcida brasileira. A receptividade do povo ficou comprovada com a folia conjunta com os estrangeiros, em locais como, por exemplo, a Vila Madalena, em São Paulo, e a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Alemanha à vontade na Bahia

Um dos trunfos da seleção alemã no tetracampeonato conquistado em solo brasileiro foi a estadia dos jogadores em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Lá, os alemães se sentiram à vontade com passeios na praia, jantares com a família e harmonia com os torcedores. Teve até dança com índios e tudo isso aconteceu no período entre treinos e preparação para os jogos. O comportamento contraria, por exemplo, a preparação da seleção brasileira, que ficou 'confinada' na Granja Comary.

O melancólico adeus de um 'super-time'

Antes do início da Copa, a Espanha era unanimidade dentre os favoritos ao título no Brasil. Aquela equipe dominava o futebol mundial desde a conquista da Eurocopa de 2008 e provou a soberania com a conquista da Copa do Mundo de 2010 e da Euro seguinte, em 2012. Porém, time liderado por Andrés Iniesta, Xavi Hernández, David Villa e Iker Casillas começou o Mundial sendo atropelado pela Holanda: 5 a 1. No jogo seguinte, perdeu para o Chile por 2 a 0 e deu adeus à Copa após dois jogos. A vitória contra a Austrália, por 3 a 0, simbolizou a última partida daquela inesquecível geração espanhola em Mundiais.

Mordida controversa

O jogo entre Uruguai e Itália, pela primeira fase, era tenso: as duas equipes precisavam vencer de qualquer forma, brigando de forma direta pela 2ª vaga do Grupo D. Talvez, a tensão tenha subido a cabeça do craque Luis Suárez, que não se segurou e, reincidentemente, aplicou uma mordida no ombro do zagueiro Chiellini dentro da área, sem mais nem menos. Ele sequer recebeu cartão, mas depois a Fifa aplicou uma punição rigorosíssima ao uruguaio: 4 meses afastado do futebol e suspenso por 10 jogos oficiais da seleção uruguaia. Por conta da mordida, Suárez está, por exemplo, fora da Copa América deste ano.

Festival de golaços

Os estádios brasileiros, durante aquele mês, foram privilegiados com uma série de pinturas eternizadas pelos craques do Mundial. Contra a Espanha, o holandês Robin Van Persie praticamente 'parou no ar' e marcou um gol de peixinho espetacular, encobrindo Casillas. O australiano Tim Cahill, contra a Holanda, fez um lindo gol com um chute firme, de primeira, após lançamento do meio-campo e David Luiz, contra a Colômbia, nas quartas de final, anotou uma pintura de falta. Mas o gol mais bonito foi do colombiano James Rodríguez, contra o Uruguai. O camisa 10 matou no peito na intermediária e, sem deixar a bola pingar, marcou um gol histórico com um chutaço. A bola ainda bateu no travessão para dar um 'capricho' a mais.

'Los Chicos': quem imaginava?

Uruguai, Itália e Inglaterra. Estes eram os adversários da Costa Rica por uma vaga nas oitavas de final, no Grupo D da competição. Muita gente colocava o time latino como já eliminado. Porém, a Costa Rica não apenas se classificou, mas ficou em 1º lugar do grupo com 7 pontos. Como se não bastasse, eliminou a Grécia nas oitavas e, na fase seguinte, chegou a levar o jogo contra a Holanda para os pênaltis, mas acabou eliminada. 'Los Chicos', como os jogadores são conhecidos, deixaram o Brasil sem nenhuma derrota.

O desequilíbrio emocional do Brasil

Para o jogo contra o Chile, pelas oitavas de final, muitos brasileiros já esperavam dificuldades, mas poucos achavam que seria tão dramático como foi. Após empate em 1 a 1 no tempo normal, o jogo foi levado para a prorrogação. A eliminação do Brasil ficou a centímetros de acontecer no último minuto do tempo extra, quando o atacante rival Pinilla acertou o travessão, em um lance que 'gelou' a espinha da torcida verde-amarela. Quando o jogo chegou nos pênaltis, um problema foi evidenciado: o desequilíbrio emocional do time de Felipão. Thiago Silva e Júlio César choravam mesmo antes da disputa das penalidades. A pressão pelo título que os atletas vinham sofrendo desde meses antes do torneio pesou. Porém, o arqueiro brasileiro fez duas defesas que garantiram o Brasil nas quartas. Thiago Silva se recusou a bater o pênalti.

A ducha de água fria

Já era o final do segundo tempo no dificílimo jogo contra a Colômbia, contra quem a seleção brasileira disputava vaga na semifinal. O Brasil vencia por 2 a 1. Em disputa no meio de campo, o colombiano Camilo Zúñiga acertou as costas de Neymar com uma joelhada e tirou o camisa 10 do jogo. O atleta do Barcelona saiu de maca, chorando, mas, no fim, o Brasil conseguiu se classificar às semifinais. A notícia chegou depois: após exames, o médico Rodrigo Lasmar anunciou que Neymar estava cortado da Copa. A grande esperança do Brasil na Copa realizada em casa após 64 anos não poderia mais jogar e deixou a torcida estarrecida. Com a suspensão de Thiago Silva, muita gente já esperava o pior para o jogo contra a Alemanha, mas não da forma como ocorreu.

7 a 1

Um ano depois, ainda é difícil de explicar o que aconteceu no Mineirão naquela terça-feira, 8 de julho de 2014. Müller, Klose, Kross, Khedira e Schürrle: estes são os nomes dos responsáveis pelos sete gols que a seleção brasileira, pentacampeã do mundo, sofreu nas semifinais do Mundial de 2014. O maior vexame dos 101 anos do time canarinho. Cinco gols saíram apenas no primeiro tempo, esmagando antecipadamente o sonho brasileiro do hexa em casa. Os alemães chegavam ao gol com pouco esforço e muito toque de bola. O equívoco de Felipão ao escalar Bernard no lugar de Neymar ficou claro contra a força física da defesa alemã. Há quem diga que a Alemanha prometeu baixar o ritmo no segundo tempo, porém André Schürrle entrou 'pilhado' no final e marcou mais dois, fechando o caixão brasileiro. Oscar marcou o gol de 'honra' quando a partida já estava em 7 a 0. Como se não fosse suficiente, o Brasil levou 3 a 0 da Holanda na disputa do 3º lugar.

O maior artilheiro das Copas do Mundo

Na goleada contra o Brasil, o gol de Klose representou o 16º tento do atacante em Copas do Mundo, superando Ronaldo Fenômeno, com 15. Desta forma, o alemão de naturalidade polonesa se sagrou como o maior artilheiro em Copas de todos os tempos. Ele atuou em 4 mundiais: 2002, 2006, 2010 e 2014. Aos 36 anos, Klose teve seu recorde premiado com seu primeiro título mundial com a seleção alemã.

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