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Um brasileiro faz história na Bósnia

Haverá muita tensão, quando as seleções da Bósnia-Herzegovina e da Sérvia & Montenegro entrarem em campo neste sábado, em Sarajevo. Essa partida do grupo 8 das Eliminatórias Européias para a Copa-2006 é aguardada com expectativa, porque evoca rancores e cicatrizes da guerra entre os dois países nos anos 90. Para Ricardo Lago, baiano de Ilhéus, o jogo também é especial, mas por motivo pessoal: o duelo com os sérvios representará sua estréia como jogador da seleção bósnia.Vestir a camisa da equipe bósnia é a nova etapa da vida cigana de ?Bajano?, como seu nome tem sido grafado desde que passou pelo Siroki Brijeg, dois anos atrás, e chamou a atenção dos dirigentes locais. Antes de desembarcar na Europa, porém, perambulou pelo Brasil, em busca de afirmação.Ricardo tem 24 anos, mas já rodou bastante, com intervalos longe da bola. Com 12, morava em Aurelino Leal, interior da Bahia, e chamou a atenção de olheiros do Vitória. Fez teste, mas não deu certo. No fim da adolescência, treinava no Colo-Colo baiano e se preparava para fazer vestibular para Educação Física. Tudo começou a mudar em 2000, com convite para jogar no PSTC, centro esportivo em Curitiba que revelou Kleberson. "Aceitei, pois não tinha nada a perder", contou, em entrevista à Agência Estado. "De lá, fui para o Londrina e disputei a Série B do Brasileiro de 2001. Me dispensaram e voltei para casa."A história de Ricardo, meia-atacante de 1m76 e 69kg, tinha tudo para ser igual à de tantos outros jogadores que tentam a sorte, sem se firmar. Em 2001, teve passagem pelo Jaboticabal, da Série A-3 paulista, e ficou um mês em teste, sem sucesso, no Ituano. "Achei que o futebol não era para mim", recorda, com fala mansa.Europa - A reviravolta veio em 2002, quando um amigo, em Curitiba, o apresentou a Bojo Slitkovic, empresário que cuida da carreira de alguns jogadores brasileiros. A proposta era a de levá-lo para a Bósnia. "Joguei duas temporadas no Siroki, fui campeão nacional, artilheiro e eleito o melhor estrangeiro da competição", lembrou.Nesse período, veio também a proposta para ter a cidadania bósnia. Ricardo concordou. "Jogar na seleção brasileira, nem pensar", admitiu, com sinceridade. "Vi que era uma boa oportunidade para ganhar destaque. Era bem tratado pelos bósnios, aprendi logo a língua e topei a oferta", afirmou o baiano, que desde essa época não volta para Ilhéus, onde moram os pais e dois de seus três irmãos - um deles, Vágner, hoje também joga na Bósnia.No começo deste ano, foi contratado pelo Kuban Krasnodar, da Séria A da Rússia. "Gosto de aventura e de conhecer lugares", avisou. "Com espírito aberto e com ajuda de Deus, pude ter essas alegrias", confessa. Evangélico, mora só, em apartamento cedido pelo clube, está aprendendo a falar russo e aproveita as folgas para ler a Bíblia, jogar boliche e ir ao cinema. Sonhos? Juntar dinheiro para comprar casa para os pais e brilhar na seleção da Bósnia, para saltos maiores. "Quem sabe, jogar na Itália ou na Espanha?"

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