Cesar Greco/ SE Palmeiras
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Robson Morelli
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Um caminho para o futebol brasileiro é desligar os aparelhos do VAR

Admitir erro da arbitragem diante do São Paulo pela Copa do Brasil e afastar os árbitros de vídeo não recolocam o time de Abel Ferreira na competição; prejudicou o Palmeiras, mas poderia ter sido contra qualquer time que se preparou para a temporada

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2022 | 05h00

CBF admitiu que o VAR errou na partida que eliminou o Palmeiras da Copa do Brasil, em jogo diante do São Paulo, classificado para as quartas de final. A entidade afastou os árbitros de vídeo que estariam em ação na 17.ª rodada do Brasileirão, no fim de semana. Ainda, não se sabe ao certo se foi pênalti na jogada e nada foi revelado se Calleri estava impedido, o que anularia tudo o que aconteceu depois dela: a marcação do tiro livre e gol tricolor.

As imagens poderiam ser divulgadas para que todos soubessem com exatidão (principal função do VAR) que houve erro. As linhas tracejadas em vermelho e azul não foram apresentadas nem durante a partida nem depois dela. Ou seja, a sujeira foi empurrada para debaixo do tapete. O máximo que a CBF fez foi afastar os envolvidos, com a conivência da Comissão de Arbitragem. Não pode haver confissão maior do que essa. E são dois erros, um técnico e outro de concepção.

Lá atrás, já dizia que o VAR só seria uma solução se os árbitros fossem competentes, inteligentes e com personalidade. Anos depois, chego à conclusão de que eles não têm nenhuma dessas características. E o pouco que sabiam do ofício, se perdeu por causa das lambanças da turma da cabine.

Um caminho é desligar os aparelhos e colocar essa gente toda no olho na rua, para procurar o que fazer. Sobrariam os árbitros de campo, que seriam reeducados, retrabalhados e reaproveitados. Começariam do zero. Muitos também poderiam entrar numa espécie de PDV (Plano de Demissão Voluntária) da arbitragem.

Apontar caminhos para esse grande problema do futebol brasileiro é uma coisa, resolver a situação do Palmeiras, é outra. O time foi tirado na Copa do Brasil por um erro da arbitragem. E aí? Perdeu a chance de brigar pela competição e de tentar ganhar tudo no ano. Perdeu a chance de ganhar uma cota de premiação de R$ 3,9 milhões. Perdeu a chance de acumular prêmios que poderiam bater na casa dos R$ 80 milhões. Perdeu a chance de ter um outro caminho para vaga na Libertadores da América. Quem assume tudo isso? O Palmeiras pode ser prejudicado dessa forma e ficar por isso mesmo? Reconhecer o erro é suficiente? E afastar os envolvidos? Termina aí? O Palmeiras foi o prejudicado da vez, mas isso poderia (e vai) acontecer com qualquer outro time. 

Algumas coisas no futebol precisam ser levadas mais à serio, como racismo, xenofobia, briga de torcida, invasão de campo, punição e arbitragem. Não dá mais, portanto, para levar o futebol, que lota estádios e movimenta R$ 52 bilhões da economia (direta e indireta) brasileira, na flauta, no amadorismo, na má gestão e sem resolver seus principais problemas, conhecidos por todos.

Um lance mal conduzido pela arbitragem, como foi na Copa do Brasil, pode matar o trabalho da temporada. É justo?

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