Giuseppe Cacace/AFP
Giuseppe Cacace/AFP

Um choro para humanizar os brasileiros

Manifestação de Neymar no final do jogo contra Costa Rica não pode e não deve ser comparada à de Thiago Silva na Copa de 2014

Alberto Bombig*, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 11h39

O choro de Neymar no final do jogo contra Costa Rica não pode e não deve ser comparado ao de Thiago Silva na Copa de 2014. Sim, nesses dois casos os jogadores brasileiros estavam sob forte tensão, no entanto, se Thiago desabou diante de uma possível eliminação contra o Chile nos pênaltis (o Brasil acabou passando), Neymar explodiu após ter tirado dos ombros o peso de uma nação apaixonada por futebol, mas que ama odiar a seleção quando ela fracassa e ama implicar com seu principal craque.

Gol que tirou também dos ombros dele o peso das comparações feitas pelo mundo inteiro: Neymar versus Cristiano Ronaldo; Neymar versus Messi (este, sim, um fracasso praticamente consumado nesta Copa do Mundo da Rússia). O choro de Neymar foi um misto de alívio e de raiva também, a tradução da vitória de um Brasil que insistiu em jogar futebol sem trocar a disciplina tática pelo desespero, bem ao estilo do técnico Tite. A vitória da obstinação contra o anti-futebol.

Acima de tudo, o choro de Neymar foi a expressão de um ser humano, que, apesar de famoso e milionário, sente dor, tem medos, angústias e sofre com a ansiedade e as críticas. Que as lágrimas de Neymar nos humanizem a todos neste País cada vez mais cravejado pelo ódio.

*JORNALISTA, EDITOR EXECUTIVO DO ESTADO

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