Um desafios aos torcedores

Quantos craques existem no futebol brasileiro?

Jornal da Tarde

16 de agosto de 2011 | 11h16

SÃO PAULO - Atenção, torcedor brasileiro: lanço aqui o desafio “encontre os craques”. Para os que me acham saudosista, é a chance de mostrar que estou errado quando digo que há uma grande escassez de talentos no futebol brasileiro.

Quero que os torcedores dos quatro grandes de São Paulo, e de lambuja estendo a pergunta aos seguidores de Portuguesa, Ponte Preta e Guarani, me apontem cinco ou seis craques no futebol paulista. Craque é aquele jogador acima de discussão, fora de série. Não me venham dizer que Liedson e Kleber Gladiador, por exemplo, são craques.

Faço a mesma pergunta aos torcedores de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. E no caso do futebol carioca não dou lambuja para América e Bangu porque na minha opinião esses times morreram. Ontem encontrei um amigo flamenguista e o primeiro nome que ele citou foi Leonardo Moura. Parei o papo por ali, porque o Leonardo Moura é bom jogador e ponto. Para ser craque falta muito.

E no futebol mineiro, dá para apontar cinco jogadores acima da média? Ou quatro, para facilitar a tarefa. No Rio Grande do Sul é possível? Claro que não.

Agora vou mudar a pergunta: quantos zagueiros e volantes brucutus, jogadores sem recursos técnicos, existem por aí? Nem comece a fazer a lista, porque você vai perder a conta...

Nosso futebol está perdendo sua identidade, e a consequência disso é que os europeus e sul-americanos têm cada vez menos respeito por nossos times e nossa Seleção.

Perdendo prestígio

Ouvir o senhor Mano Menezes dizer que escalou o Fernandinho no lugar do Ganso porque precisava marcar o lateral-esquerdo da Alemanha me deixou indignado. Ele abriu mão de um jogador que pensa e tem habilidade para colocar mais um jogador de marcação. E aí ficamos com três atacantes e oito homens defensivos. É essa a cara do futebol brasileiro?

Até os anos 80, quando iam jogar contra o Brasil os europeus ficavam preocupados em como fazer para marcar tantos jogadores de habilidade.

Com quem o Ganso vai trocar ideia no meio de campo se ao olhar para um lado vê o Ramires e para o outro vê o Lucas Leiva ou o Ralf? Em 82 o Zico pegava a bola e tinha Falcão, Sócrates e Cerezo para ajudá-lo. E antes sempre havia fartura de grandes jogadores no meio de campo.

O que está matando nosso futebol é o culto à escola gaúcha que vem desde o título mundial de 2002. Precisamos voltar a apostar em volantes e meias que sabem jogar e em jogadores dribladores pelos lados do campo.

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