Hélvio Romero/Estadão
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Um líder faminto

O Santos quer gols, pontos e vitórias, jogando futebol, desejando a bola

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2019 | 04h00

Dez vitórias em 13 jogos, sete consecutivas, 32 pontos ganhos em 39 possíveis, 82,1% de aproveitamento. São 23 gols marcados, nove sofridos, saldo de 14. Os 6 a 1 sobre o Goiás na manhã de domingo mostraram, mais uma vez, a força e a fome do Santos que lidera o Campeonato Brasileiro.

São cinco pontos a mais em relação ao Flamengo que liderava após 13 rodadas no ano passado e quatro de vantagem sobre o Palmeiras, ponteiro a essa altura em 2016. Apenas três a menos do que o Corinthians tinha em 2017, quando fez campanha avassaladora e surpreendente no primeiro turno.

Em 2015, depois da 13.ª rodada, o Atlético-MG liderava com 29 pontos, em 2014 o Cruzeiro viveu situação idêntica, em 2013 o time Celeste também encabeçava a tabela de classificação, mas com apenas 25 pontos. Em 2012, o Galo liderava com a mesma pontuação que o time de Sampaoli já acumula até o momento.

Em 2011 o Corinthians era o líder na rodada 13 e em 2010 a posição pertencia ao Fluminense, ambos com 29 pontos. A conclusão é: na última década somente os corintianos comandados por Fábio Carille fizeram mais pontos do que o Santos de Jorge Sampaoli, superado um terço da disputa.

A campanha é marcante e chama atenção pelo fato de não ser o dono do melhor elenco. Salários atrasados, problemas financeiros, jogadores importantes deixando o clube durante a temporada... Os problemas do argentino, tatuado e que anda de bicicleta não foram poucos até aqui.

O Santos foi avassalador nos 6 a 1 sobre o Goiás, repetindo o placar imposto ao time goiano pelo Flamengo de Jorge Jesus, também em uma manhã de domingo. O time teve 61% de posse de bola, trocou 501 passes certos, finalizou 19 vezes, 14 de dentro da área, dez no alvo, seis nas redes.

Segue brigando pela recuperação da pelota sempre que a perde, o que fez 36 vezes nesta goleada na Vila Belmiro, entre desarmes, interceptações e cortes. Após alguns triunfos por 1 a 0, sobre Ceará, Corinthians, Bahia e Botafogo, os santistas fizeram nove gols em duas pelejas, já que na rodada passada bateram o Avaí por 3 a 1.

A grande dúvida sobre o time de Sampaoli é o elenco. Resistirá à pesada temporada num campeonato de 38 jogos dos quais ainda terá 25 a disputar? É possível, ainda mais com semanas inteiras livres para recuperar lesionados, cuidar dos atletas, treinar e aprimorar o time, reflexo das eliminações das Copas do Brasil e Sul-Americana.

No calendário maluco do futebol brasileiro, o que é ruim pode ser bom, ou seja, as desclassificações, por mais absurdo que pareça, têm um lado positivo, mas que depende do treinador. Sim, porque semanas livres nas mãos de técnicos sem repertório, incapazes de melhorar o rendimento de uma equipe pouco servem. Não é o caso de Sampaoli.

O Santos, faminto, quer gols, pontos, vitórias, que já coleciona. Jogando futebol, desejando a bola, jamais recusando-a, nunca entrando em campo para defender um resultado, pois mesmo quando venceu por 1 a 0, se esforçou, buscou mais. No semideserto de ideias no qual se transformou o futebol praticado no Brasil, soa diferente. Que bom!

Daniel Alves

Não é a maior contratação da história do futebol brasileiro, como foi dito por aí. Exageros à parte, mesmo aos 36 anos o lateral-direito e capitão da seleção brasileira, campeão e melhor jogador da Copa América, deve acrescentar muito ao time tricolor. Se o clube tem como honrar os compromissos financeiros assumidos para tê-lo, só haverá um ponto a questionar nesse contrato: sua duração, que se estenderá até poucos meses antes de Daniel Alves completar 40 anos!

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