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Um mês após acidente, Chapecoense se reabilita aos poucos

Contratações, investigações e recuperação de sobreviventes: como a vida segue 30 dias depois da tragédia

Rodrigo Luiz, especial para o Estado, O Estado de São Paulo

29 de dezembro de 2016 | 07h00

A madrugada do dia 29 de novembro de 2016 escreveu na história a maior tragédia do futebol brasileiro. A queda do voo que levava a delegação da Chapecoense para a primeira final de uma competição internacional da sua história completa um mês nesta quinta-feira. Se tanto o time catarinense como os sobreviventes lutam para seguir em frente com dignidade, ainda existem algumas questões referentes ao acidente a serem respondidas.

Uma das poucas certezas que já se têm a respeito da tragédia que deixou 71 mortos e apenas seis sobreviventes é o fato de que o voo era irregular, e não deveria ter sido aprovado pelas autoridades de aviação bolivianas. As investigações do próprio país culparam a companhia aérea LaMia pelo acidente. A empresa costumava realizar trajetos utilizando a carga de combustível abaixo do que manda a lei - planos de voo apontam que é necessário ter combustível suficiente para a viagem, além de uma reserva em caso de imprevistos como o ocorrido, que provocou a pane seca e, consequentemente, a falha elétrica que derrubou o avião.

Apesar de atuar irregularmente, a LaMia era frequentemente utilizada por equipes de futebol da América do Sul em seus percursos. A seleção da Argentina e a própria Chapecoense já haviam voado pela companhia aérea boliviana - um vídeo gravado antes da decolagem com a delegação catarinense, inclusive, continha elogios do técnico Caio Júnior e de membros da diretoria ao serviço prestado na viagem anterior, na semifinal do torneio, contra o San Lorenzo-ARG.

A Colômbia, local do acidente, decidiu liderar as investigações, afirmando que a Bolívia não teria capacidade para avaliar o caso corretamente. Nesta semana, as autoridades locais confirmaram que o voo da LaMia possuía excesso de peso e um plano de voo irregular.

O país, inclusive, demonstrou enorme solidariedade após a tragédia, com manifestações vindas de políticos, equipes de futebol e moradores. A mais emblemática delas partiu do próprio rival da Chape, o Atlético Nacional, de Medellín - destino final do voo -, que demonstrou enorme espírito esportivo e sentimento ao 'entregar' o título da Copa Sul-Americana ao rival.

O local da queda, inclusive, vai mudar de nome: o governador da região de Antioquia, Luis Perez, decretou que a montanha da região conhecida como Cerro Gordo, no município de La Union, passará a se chamar 'Chapecoense', em memória aos mortos no acidente.

Procedimentos e regimentos internos da Bolívia, no entanto, seguem sendo investigados. Nesta quarta-feira as autoridades de Santa Cruz de la Sierra, cidade de onde partiu o avião, processaram o chefe de controle aéreo municipal e mais quatro funcionários da agência de aviação local, que, na avaliação deles, não deveriam ter aprovado o plano de voo da LaMia.

QUEDA DO VOO DEIXA SEIS SOBREVIVENTES, QUATRO DELES BRASILEIROS

A queda do avião da LaMia matou 71 pessoas, mas outras seis resistiram ao acidente. O primeiro a ser resgatado na ocasião foi o lateral Alan Ruschel. Ele também foi o primeiro sobrevivente brasileiro a ter alta. O goleiro Jackson Follmann foi o segundo, ainda que tenha tido sequelas severas - ele perdeu uma das pernas e é o único a ainda seguir internado. Rafael Henzel, único jornalista a sobreviver, deu entrada no hospital ainda consciente.

O caso mais difícil foi o do zagueiro Neto. Ele foi encontrado quando as buscas já haviam sido encerradas: um dos bombeiros ouviu gemidos do atleta e decidiu voltar ao local, encontrando-o seis horas após a queda. Ainda com algumas sequelas respiratórias, perdeu muito sangue e estava hipotérmico quando foi achado, mas já teve alta médica e seguirá sua recuperação em casa.

Dois únicos tripulantes do voo boliviano que sobreviveram, Erwim Tumiri, um mecânico, e Ximena Suárez, comissária de bordo, também já deixaram o hospital. O primeiro afirmou, na ocasião da sua alta médica, que sobreviveu por ter seguido os protocolos de acidente comuns da aviação - ele se abaixou no seu assento, abraçando as pernas. Nenhum aviso, no entanto, foi dado no momento da falha elétrica pelo piloto - que também faleceu na queda -, de acordo com os sobreviventes.

COM VAGA NA LIBERTADORES-2017, CHAPE OLHA PARA O FUTURO

Com membros da diretoria mortos no voo - incluindo o presidente do clube, Sandro Pallaoro -, a equipe catarinense teve de se reconstruir praticamente do zero. Dentre os três sobreviventes, apenas o lateral Alan Ruschel, quem melhor se recupera do acidente, deve ter condições de voltar a atuar em um futuro próximo. O zagueiro Neto só deverá ser liberado pelos médicos para realizar exercícios físicos dentro de pelo menos quatro meses. Jackson Follmann, por sua vez, avalia a possibilidade de se tornar atleta paralímpico.

Plinio David De Nes Filho, que fazia parte da direção da Chape, assumiu a presidência, e trouxe quatro reforços para o elenco. O goleiro Elias (ex-Juventude), o zagueiro Douglas Grolli (ex-Cruzeiro), o meia Dodô (ex-Atlético-MG) e o atacante Rossi (ex-Goiás) assinaram contrato e vestirão o uniforme verde a partir de janeiro de 2017 e disputarão a próxima edição da Copa Libertadores - vaga a que tem direito o campeão da Copa Sul-Americana, em conquista confirmada pela Conmebol no último dia 21, ocasião do sorteio dos grupos da competição.

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