Um negócio de filho para pai

Quando resolveu montar a Fidelity Sports Agency, há seis meses, em sociedade com Renato Figueiredo, o Renatinho, ex-jogador do São Paulo e do Corinthians, Márcio Gazolla Rivellino só não imaginou que algum dia tivesse de negociar com o próprio pai, Roberto Rivellino, diretor-técnico do Corinthians. Os dois não consideram a relação antiética. Rivellino, o pai, lembra que não é ele quem indica as contratações. "Eu apenas viabilizo os negócios. Quem indica é a Comissão Técnica." Já o filho assegura que vai ter que pensar mais de 10 vezes na hora de fechar um negócio com o Corinthians. "As pessoas sempre desconfiam de quem trabalha no futebol. É mais difícil eu fazer negócio com o meu pai do que com o Mustafá, com o Marcelo Teixeira ou com o Petraglia (Mário Celso, presidente do Atlético-PR)", compara Márcio. Prova maior de que não leva em consideração a relação de pai e filho para os negócios é a situação de Adrianinho, da Ponte Preta. O jogador interessa ao Corinthians, por indicação do técnico Juninho, mas a prioridade foi dada ao Palmeiras. "Jamais iria quebrar esse compromisso só porque o meu pai trabalha no Corinthians. Se fizesse isso não estaria ajudando o meu pai. Estaria atrapalhando a minha própria empresa". Antes de começar a carreira como empresário, Márcio tentou ser jogador de futebol, seguindo o exemplo do pai. Jogou no Corinthians por dois anos, em 89 e 90. Depois disso, fez um curso de comércio exterior nos Estados Unidos, mas queria mesmo trabalhar no futebol. Após um período de experiência com o empresário José Luís Taveira, resolveu fundar a própria empresa. Deu certo. Em meio ano, já formou uma carteira com 25 clientes, alguns ainda desconhecidos. Márcio não se interessa só por estrelas. Provou isso recentemente ao "adotar" Roberto, volante da Seleção Brasileira Sub-17. O garoto não recebia nada da Portuguesa havia três anos, quando resolveu pedir ajuda. Márcio aceitou o desafio. Assinou contrato com o garoto, arrumou emprego para a mãe do rapaz e acompanha de perto o sucesso de Roberto no Guarani e na própria Seleção.

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