Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Uma camisa, duas torcidas: Brasil e o adversário de Argentina e Alemanha

Brasileiros inovam e lançam uniforme com metade da seleção e metade com as cores de quem enfrentar os dois rivais

Gonçalo Junior, enviado especial a Moscou, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 05h00

Torcedores brasileiros inovaram na hora de provocar os rivais Argentina e Alemanha. Eles estão usando camisas em duas cores: metade é da seleção brasileira e a outra metade tem as cores dos times que vão enfrentar nosso maior rival na América do Sul e o atual campeão mundial. 

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No empate entre Islândia e Argentina, o início do drama de Messi na Copa do Mundo, o time europeu ganhou o apoio dos brasileiros nas arquibancadas do estádio Spartak, em Moscou. Além de acompanharem o canto tradicional do povo de origem viking - aquele em que batem palmas pausadamente com os braços estendidos para cima -, os brasileiros foram um pouco mais provocativos. Um grupo mandou confeccionar uma camisa metade amarela, da seleção brasileira, e metade com as cores da Islândia: azul, vermelha e branca. E foram para o estádio torcer. 

“Nós sabíamos toda a história da equipe da Islândia, que os atletas são semiprofissionais e estão estreando na Copa. Tivemos a ideia de fazer a camisa metade de um jeito e metade de outro. A camisa ficou muito bonito, muita chamativa”, diz o empresário Moroni Andrade, um dos autores da ideia. 

A camisa fez sucesso em Moscou. Torcedores de outras nacionalidades queriam tirar uma foto do uniforme que retratava dois sentimentos: o apoio à seleção mais fraca, candidata à surpresa do Mundial, e a rivalidade histórica com a Argentina. “Os islandeses adoraram a ideia. Eles nos abraçavam e queriam tirar fotos e disseram que iam fazer uma camisa igual. Tiramos dezenas de fotos. Ficamos famosos no mundo inteiro”, completa o torcedor, que trabalha na área imobiliária em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

 

O modelo criativo, confeccionado em São Paulo por R$ 32, criou problemas com os torcedores argentinos que estão angustiados com a possibilidade de serem eliminados na primeira fase. “Muitos argentinos ficaram bravos e começaram a nos xingar. Eles acham estranho a gente torcer para um time europeu e não para uma equipe sul-americana. Mas não dá para torcer pela Argentina”, conta o torcedor. 

CONTRA A ALEMANHA

Outro grupo de torcedores levou a ideia para o jogo em que a Alemanha perdeu para o México, fez uma camisa com as cores da Croácia (segundo rival da Argentina) e promete usar um modelo metade amarelo e metade azul para homenagear o segundo rival da Alemanha (Suécia). Eles não vão assistir a todos os jogos, mas estão pensando na festa antes e durante as partidas. A camisa com as cores do Brasil e do México também fez sucesso na entrada do estádio de Luzhniki. Os modelos também foram feitos no Brasil e custaram R$ 40. 

“Os mexicanos gostam dos brasileiros desde a Copa de 1970. Na saída, nós comemoramos juntos a vitória, que foi histórica para eles”, contou o dentista Carlos Bezerra Bittencourt. 

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Não tivemos problemas com os alemães, mas os argentinos não gostaram.
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Carlos Augusto, advogado

“Não tivemos problema com os alemães. Eles foram camaradas e levaram na esportiva. Mas os argentinos não gostaram”, diz o advogado Carlos Augusto Barreiro. “Tentamos fazer uma provocação em tom de brincadeira. Eles (argentinos) fizeram uma música para incomodar os brasileiros na Copa de 2014, mas não gostam quando são o tema das piadas por aqui”, opina o torcedor. 

A música citada pelo torcedor é o hit da Copa de 2014: Brasil, decime qué se siente. No início do Mundial, os torcedores argentinos reviveram a canção na Praça Vermelha, ponto obrigatório de encontro das torcidas de vários países. Com o início da competição, no entanto, os argentinos pararam de cantá-la.

 

 

 

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