Montagem/Estadão
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Uma nova geração de técnicos pede passagem no futebol brasileiro

Treinadores consagrados perdem espaço no comando dos clubes, que decidem apostar em jovens comandantes

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2016 | 07h01

Até poucos anos, quem contratasse Vanderlei Luxemburgo, Joel Santana, Oswaldo de Oliveira, entre outros, mais do que contratar um técnico, estava levando ao clube uma grife e a certeza de que bons resultados estavam por vir. Hoje, os experientes treinadores sofrem desdém, são chamados de “dinossauros”, antiquados e rejeitados pela maioria dos dirigentes e torcedores. Quem dita o ritmo do futebol brasileiro para 2017 é uma nova geração. 

Nesta segunda-feira, o Vitória descartou a possibilidade de contratar Luxemburgo, de 64 anos. A Chapecoense, em meio a tragédia com o avião da equipe, preferiu contratar e pagar por Vagner Mancini, 50, do que acertar com Levir Culpi, 63, demitido do Fluminense, que se ofereceu para trabalhar de graça. 

Enquanto isso, Roger Machado, 41, chega ao Atlético-MG cheio de moral, assim como Jair Ventura, 37, que assumiu o Botafogo no meio do Brasileiro, lutando contra o rebaixamento, se classificou à Libertadores e ontem renovou contrato até o final de 2018.

O Flamengo aposta em Zé Ricardo, 45, para jogar a Libertadores, sem cogita um veterano. O campeão brasileiro Palmeiras perdeu Cuca, 53, e foi atrás de Eduardo Baptista, 46, que vem de bom trabalho pela Ponte Preta e aparece como uma das melhores revelações dos últimos anos.

O São Paulo radicalizou e colocou o ex-goleiro Rogério Ceni, 43, como técnico, depois de não conseguir grandes feitos com Ricardo Gomes, 52. E o Grêmio acaba de ser campeão da Copa do Brasil com Renato Gaúcho, 54, como treinador.

Enquanto isso, Luxemburgo continua desempregado após ser demitido do Tianjin Quanjian, equipe da segunda divisão da China, em junho. Joel Santana, 67, após ficar três anos sem clube, acertou com o modesto Boavista, que disputa o Carioca.

Oswaldo de Oliveira, 66, deixou o Corinthians tendo, dentre outras reclamações, o fato de demonstrar um trabalho antiquado, principalmente nos treinos. Ele gostava de dar longas atividades, com mais de duas horas, enquanto os novos treinadores entendem que o ideal é uma atividade compacta, com, no máximo 1h30. 

Sobreviventes. Existem três gerações bem distintas no futebol brasileiro. Os experientes como Luxemburgo e Oswaldo, os intermediários, como Dorival Junior, 54, Vagner Mancini, e Renato Gaúcho, e os novatos, encabeçados por Roger Machado e Eduardo Baptista.

Embora os veteranos estejam em baixa, alguns ainda conseguem se manter. Paulo Autuori, 60, conseguiu levar o Atlético-PR à Libertadores, enquanto Abel Braga, 64, após passar todo o ano sem clube, acertou com o Fluminense para 2017.

Uma das formas encontradas pelos veteranos para se manter na ativa é trocar de função. Antônio Lopes, 75, abandonou a carreira de treinador em 2011, no Atlético-PR, e virou dirigente. Atualmente, ele é gerente de futebol do Botafogo. Já Emerson Leão, 67, que em 2012 dirigiu o São Caetano, acaba de assumir o cargo de consultor de futebol da Portuguesa.

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