União Barbarense com um pé na Suíça

A história recente do futebol brasileiro está marcada pela compra de jogadores nacionais por times estrangeiros. Informações publicadas nos jornais suíços de hoje, porém, revelam um plano que, se confirmado, poderia ser o primeiro caso de um clube brasileiro adquirindo uma equipe européia. Segundo o jornal Tribune de Geneve, o principal time de futebol de Genebra, o Servette, poderia ser comprado pelo União Barbarense, clube do interior paulista. Na realidade, a suposta operação não seria feita com recursos brasileiros, mas russos. Segundo os jornais suíços, os investimentos seriam da empresa de petróleo Loukoil, que já é dona de vários times na Europa, entre eles o Spartak Moscou. A empresa russa se utilizaria de um acordo com o Barbarense para fazer a transação. O valor não foi revelado. "Por enquanto, não faremos qualquer anúncio", disse a porta-voz da equipe. Segundo os jornais, a idéia dos investidores seria adquirir a maioria das ações do Servette para poder controlar o futuro financeiro do clube, fundado em 1890 e que hoje atravessa uma de suas piores crises. Os salários estão atrasados e as dívidas se acumulam. O time atua na Primeira Divisão, mas depois de perder investidores como o francês Canal Plus, não conseguiu contratar jogadores e tem enfrentado resultados desastrosos nos últimos três anos. Em mais de um século de vida, o time foi campeão suíço em 17 oportunidades. A última conquista ocorreu em 1999. A parceria - Desde o segundo semestre do ano passado, o Barbarense tem uma parceria de co-gestão com a UB Corporation, com sede na Suíça, mas que seria mantida com dinheiro russo. O presidente do União Agrícola Barbarense Futebol Ltda. é Marcos Lucena, o Magu, ex-ponta-esquerda do Corinthians na década de 80, que se tornou empresário no meio futebolístico. A UB Corporation fechou a parceria por US$ 440 mil, dinheiro usado para quitar as dívidas do clube paulista. Depois da assinatura, a empresa passou a ter direito sobre 85% do valor de qualquer negociação de jogadores, além de ficar com as rendas e 100% das cotas de tevê da Federação Paulista de Futebol. O clube social ficou com apenas 15% sobre os negócios. Outro dirigente do futebol da Barbarense é o ucraniano Sergei Shibynsky, homem-forte da parceria. É ele quem recebe os investimentos da UB e paga o União, mas nunca foi visto em Santa Bárbara D? Oeste. Nenhuma corrente no União Barbarense se mostrou contrária a atual administração, que no início foi contestada, mas como a UB quitou as dívidas do clube, os conselheiros acabaram cedendo. O presidente da parte social é João Zampieri, que não quer falar sobre o acordo aprovado pelo Conselho Deliberativo.

Agencia Estado,

22 de janeiro de 2004 | 18h27

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