União é a arma do São Caetano na final

O São Caetano está, de novo, numa final. É a primeira vez que chega em condições de conquistar o título do Campeonato Paulista e conta com um ingrediente que aumenta suas chances em relação ao seu adversário: o grupo está fechado. É uma gíria do futebol. Significa que todo o elenco atingiu um ponto máximo de união, de concentração e até de humildade para ser campeão. Quem confirma este estado atual do elenco é o técnico Muricy Ramalho, que mesmo longe de ser um grande estrategista, mostrou inteligência e soube levar os jogadores ao ápice de sua forma técnica, tática e mental. Mas o que significa fechar o grupo? "Para ser campeão, cada um precisa dar um pouco mais de si. Precisa abrir mão de vaidade, porque quando sair do time tem que aceitar, quando entrar deve estar preparado e sempre deve torcer para o sucesso do companheiro", explica Muricy. Ele também sempre repete que encontrou no clube as condições ideais para realizar seu trabalho. Destaca o respaldo financeiro do clube, que paga rigorosamente em dia, que mantém uma estrutura altamente profissional e conta com dirigentes que não se intrometem nos detalhes técnicos do time. "Tudo aqui é feito no regime profissional. Então tem que dar certo", conclui Muricy. Ele não esquece de elogiar os técnicos anteriores, por acreditar que está fechando o trabalho acumulado por seus antecessores, como Tite e Mário Sérgio. Além das experiências postiivas nos vice-títulos do Brasileiro (2000 e 2001) e da Libertadores (2002). Outro mérito do técnico foi abandonar, com resultados, o estigma do time ter excelente aproveitamento na defesa mas ser conhecido como "rei dos empates". Neste aspecto ele recuperou os tempos em que o time do ABC era dirigido por Jair Picerni, sempre em busca do ataque e dos gols. O elenco é considerado "excelente" e se adapta facilmente às táticas e variações conforme as ações e necessidades de cada jogo. "Prefiro o 4-4-2, porque o time executa com facilidade e está funcionando no Paulista", atesta o técnico, invicto na competição com seis vitórias e apenas um empate, justamente na primeira semifinal com o Santos, por 3 a 3, na Vila Belmiro. Com relação a adversário na final jamais houve esta preocupação, o que comprova o grau de amadurecimento e obstinação do time que viverá uma semana diferente. Quando acontecer a apresentação dos jogadores, nesta segunda-feira à tarde, todos vão deixar de lado as atenções do Campeonato Paulista para se concentrarem no jogo decisivo contra o Peñarol, do Uruguai, pela Taça Libertadores da América, quinta-feira, no Anacleto Campanella. Os dois times dividem a segunda posição, junto com o The Strongest, da Bolívia, do Grupo 1, todos com três pontos. Teoricamente, brigam pelo segundo lugar e por uma vaga na próxima fase. Como tem o controle absoluto do elenco, Muricy já avisou que só vai pensar na final do Paulista a partir de sexta-feira. E não pretende poupar nenhum jogador, embora admita que antes falará individualmente com cada um. "Quem entrar vai dar conta do recado", diz, ele. Uma certeza de que o primeiro título importante do São Caetano está mesmo mais próximo do que nunca.

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