Único austríaco na Copa ajuda ex-colega de time a escalar os EUA

Andreas Herzog, amigo do técnico Klinsmann há 20 anos, é quem sonda destaques americanos na Europa

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

27 de janeiro de 2014 | 07h50

SÃO PAULO - No comando da seleção dos Estados Unidos está uma dupla que tem quase 20 anos de amizade. Ao assumir o cargo de técnico, o alemão Jurgen Klinsmann logo chamou para ser assistente o austríaco Andreas Herzog, ex-companheiro de time, e para quem atribui a importante tarefa de acompanhar os jogadores americanos que atuam no futebol europeu.

Os dois se tornaram amigos em 1995, quando defendiam o Bayern de Munique e levaram o time bávaro a ser campeão da Copa da Uefa. Os dois se reaproximaram em 2004, quando o já aposentado Klinsmann, morador da Califórnia, recomendou ao meia austríaco que encerrasse a carreira no Los Angeles Galaxy.

Há dois anos, novamente o alemão abriu uma oportunidade ao companheiro e o chamou para ser assistente, junto com Martín Vásquez. "Klinsmann é um profissional de alto nível e sempre me consulta antes de tomar qualquer decisão. Nosso grupo de jogadores é formado por jovens e temos como preocupação fazer com que todos evoluam", contou Herzog, de 45 anos, que defendeu a Áustria nas Copas de 1990 e 1998 e é o recordista de partidas pela seleção (103).

O companheiro fiel de Klinsmann está sempre ao lado do alemão nos treinamentos. Fã de Zico, Careca e Sócrates, com frequência entra em campo durante as atividades para dar orientações de posicionamento aos atletas. Durante o período de aclimatação de dez dias em São Paulo o foco foi conhecer a cidade onde ficarão concentrados durante a Copa e não tanto preparar a equipe. Segundo o austríaco, dos 26 jogadores do grupo que esteve no Brasil, no máximo dez devem ser convocados para o Mundial.

Da cidade natal, Viena, Herzog acompanha o desempenho dos americanos que atuam na Europa e elogia a geração atual com a bagagem de quem testemunhou a evolução do futebol ianque em três momentos. Na Copa de 1990, enfrentou os Estados Unidos, que voltavam ao Mundial depois de 40 anos. "Era uma equipe formada basicamente por universitários. É impossível comparar com hoje". Depois, em 2004, jogou na Liga Americana, onde, para desgosto do então veterano jogador, a velocidade predominava sob a técnica. Agora, o ex-meia já considera a seleção pronta para encarar qualquer adversário. "Os jogadores americanos são corajosos e têm orgulho de defender o país. Esse é o nosso ponto forte. Na Copa vamos enfrentar times bons, mas com a força do nosso grupo, temos condições de ganhar", comentou.

As dez temporadas no futebol alemão e o trabalho nos Estados Unidos não foram capazes de fazer Herzog largar o sonho de treinar a Áustria. Aliás, o meia é o autor do último gol da equipe em Copas, ao ter marcado contra a Itália, em 1998. "Por algumas vezes fui cotado para ser o técnico da seleção austríaca. Mas entre o meu nome e o do concorrente, o presidente da federação escolheu algum estrangeiro. O país não se classificou para a Copa, mas pelo menos resta o orgulho de que serei o único representante da Áustria no Mundial no Brasil", disse Herzog.

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