Uruguai e Colômbia enfrentam uma prova de fogo no Maracanã

Uruguaios vão às oitavas estimulados pela suspensão de Suárez, enquanto colombianos tentam superar insucessos no mata-mata

Luís Augusto Monaco e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 22h02

No segundo duelo sul-americano da rodada de abertura das oitavas de final da Copa, Colômbia e Uruguai terão uma prova de fogo, às 17 horas, no Maracanã. Os colombianos, em busca da classificação para as quartas de final pela primeira vez em sua história, tentarão mostrar que, além de bom futebol, têm cabeça para sobreviver a um jogo eliminatório. E os uruguaios, que foram ressuscitados no Mundial pelo talento de Luis Suárez na vitória sobre a Inglaterra, irão à luta sem seu atacante “mordedor” e confiando na experiência em partidas desse tipo para conseguir a vaga.

A Colômbia venceu as três partidas da primeira fase jogando bem, com bola no chão e jogadores habilidosos. E superou a ausência do “seu” Suárez – o goleador Falcao Garcia, cortado poucos dias antes do embarque para o Brasil, por não ter conseguido se recuperar totalmente de uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo sofrida em janeiro. 

O que ainda não se sabe é se a equipe está preparada para deixar para trás um velho problema que costuma abreviar a trajetória colombiana em Mundiais: a falta de estrutura emocional para sobreviver à pressão de jogos decisivos. E isso o rival desse sábado tem de sobra, como o técnico José Pekerman reconheceu. 

“Pela própria personalidade, os jogadores uruguaios não sentem o peso de partidas assim, eles se sentem à vontade em campo.” E ainda têm outra virtude, segundo Pekerman. “Eles não desistem nunca, em nenhuma circunstância. Podem estar perdendo, com um jogador a menos, mas continuam sempre acreditando que podem ganhar. É impressionante.”

Pekerman tem razão. Os uruguaios gostam de jogos difíceis, ainda mais quando são considerados inferiores. Em Natal (nenhum jogador teve contato com a imprensa desde que a delegação chegou ao Rio, na noite de quinta-feira), o meia Gastón Ramírez disse que o grupo está habituado a partidas com alta carga de tensão. E que isso o faz confiar na vitória contra os colombianos.

A Celeste já viria para o jogo motivada por causa das vitórias sobre Inglaterra e Itália que a tiraram da UTI, onde havia sido jogada pela Costa Rica, e a colocaram nas oitavas de final. E agora, por causa da suspensão de nove jogos aplicada a Suárez, entrarão ainda mais determinados em campo. Querem jogar pelo companheiro e mostrar ao mundo que podem ser fortes sem o astro do time.

A escalação é um mistério. Forlán é o substituto natural de Suárez, mas não está em boa fase e não saiu do banco nas partidas contra ingleses e italianos. Stuani, que tem boa presença de área, é outra opção. E especula-se que Gastón Ramírez pode ser o escolhido, para dar mais toque de bola ao meio-campo. Nesse caso, Cavani seria o único atacante.

Também há dúvida sobre o esquema de jogo. Se for o 4-4-2, como no início do jogo contra a Itália, Cáceres será o lateral-direito e Maxi Pereira ficará na reserva. Mas se Tabárez optar pelo 3-5-2, Cáceres jogará de zagueiro, Maxi Pereira entrará como ala pela direita e Lodeiro irá para o banco.

Pekerman também não deu a formação colombiana, mas não deverá haver grandes surpresas. Os titulares que não começaram jogando contra o Japão estarão de volta.

Toque de bola contra garra, inexperiência versus tarimba. Mas, de ambos os lados, muita vontade da fazer história. Prepare-se, porque não vai faltar emoção no Maracanã.

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