Andrés Stapff/Reuters
Andrés Stapff/Reuters

Uruguai não quer viver de passado na Copa, avisa Alvaro Pereira

Jogador diz que Celeste precisa tomar o feito de 1950 como inspiração, mas não ser pressionada por isso

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2014 | 07h44

SÃO PAULO - Alvaro Pereira vive a expectativa de disputar sua segunda Copa do Mundo. Ele esteve na edição anterior, na África do Sul, quando o Uruguai surpreendeu e chegou até a semifinal. A competição marcou ainda o ressurgimento do futebol do país, que conquistou a Copa América em plena Argentina e fez um bom papel na Copa das Confederações, sendo eliminado pelo Brasil.

Agora, o lateral-esquerdo que também atua no meio de campo está com a Celeste em Canelones contando os dias para retornar ao Brasil, sua nova casa. Ele foi contratado pelo São Paulo neste ano e garante que já está adaptado ao País. Sabe que esse contato será muito importante para que ele possa ajudar o Uruguai a ir longe novamente no Mundial.

Nesta entrevista exclusiva, ele conta sobre o momento atual do futebol uruguaio, fala que a Celeste não tem de viver de passado e que só o nome não ganha jogo. Ele também comenta sobre a união do grupo e enfatiza que a delegação precisa chegar com humildade no Brasil.

ESTADO - Qual sua expectativa para a disputa da Copa no Brasil?

ALVARO PEREIRA - Antes de mais nada, é um sonho para qualquer criança uruguaia poder representar a seleção de seu país. Depois, é uma alegria imensa poder participar do processo, disputando o Mundial na África do Sul, a Copa América, a Copa das Confederações e indo agora para a segunda Copa. É um prazer. Poucos jogadores têm esse privilégio e acho que é um reconhecimento do esforço.

ESTADO - O fato de você ter vindo atuar no Brasil meses antes do torneio pode ser um fator que vai te ajudar? Você se sentirá em casa?

ALVARO PEREIRA - Dentro de campo, só poderei dizer se tive vantagem com isso depois da Copa. Mas fora de campo ajuda. Estou adaptado ao Brasil, ao clima, às pessoas e ao ambiente. Um outro fator é que minha família está no Brasil, isso me dá mais tranquilidade, pois consigo me sentir em casa. Isso é o melhor.

ESTADO - Como você vê o atual momento do futebol uruguaio?

ALVARO PEREIRA - Em relação aos clubes, ainda precisa crescer e melhorar muito. O campeonato nacional foi muito equilibrado, com os times considerados pequenos mostrando serviço. O Defensor na Libertadores faz uma boa campanha, mas acho que o futebol uruguaio tem de se aperfeiçoar ainda mais.

ESTADO - Vocês na seleção costumam dizer que o fantasma de 1950 atrapalha mais do que ajuda. Não necessariamente a história vai se repetir e isso acaba sendo uma pressão extra sobre a Celeste. Qual o peso disso?

ALVARO PEREIRA - Não temos de viver de passado, sempre falo isso. Foi uma façanha, que será sempre lembrada, podemos tomar como inspiração, mas não como pressão ou algo que possa atrapalhar. Simplesmente foi um feito conquistado há muito tempo, temos enorme respeito por isso, mas não vamos viver de passado. Temos de viver o presente e isso que vai servir para o futuro. Não vamos olhar para trás, dizendo que o Uruguai fez isso ou aquilo. Temos de chegar ao Brasil para a Copa com humildade e acreditar na gente, para fazer um bom trabalho.

ESTADO - Qual o segredo do Uruguai?

ALVARO PEREIRA - Não temos isso. Temos união, em um grupo humano tremendo que se defende tanto dentro quanto fora de campo. Somos uma família que se entrega totalmente na partida e quando acaba um jogo ninguém se recrimina ou critica o companheiro. Simplesmente saímos de cabeça erguida, cientes de que o trabalho foi feito da melhor maneira.

ESTADO - O Uruguai nunca é colocado entre os favoritos para vencer a Copa, mas é sempre apontado como uma seleção que pode incomodar. Como você vê o momento da equipe?

ALVARO PEREIRA - É difícil falar de favoritos ao título. Nós vamos sempre trabalhar com humildade, e os números podem enganar. Ficamos em quarto lugar na África do Sul, vencemos a Copa América e todo mundo falava que iríamos passar com tranquilidade pelas Eliminatórias Sul-Americanas, mas não foi isso que ocorreu e acabamos nos classificando para a Copa apenas na repescagem. Só o nome não vence um jogo. Vamos chegar com humildade, sabemos o quanto lutamos para chegar ao Mundial e vamos trabalhar e acreditar nisso. Temos a experiência de já ter disputado uma Copa, pelo menos a maioria do grupo, e esperamos que seja uma trajetória positiva.

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