Matilde Campodonico/AP
Tite conversa com jogadores da seleção no Centenário Matilde Campodonico/AP

Contra o Uruguai, Tite faz as contas para classificar a seleção ao Mundial

Líder da corrida sul-americana para a Copa da Rússia em 2018, seleção brasileira encara o melhor mandante da competição em Montevidéu

Ciro Campos, enviado especial a Montevidéu, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 07h00

Na temporada passada, o Brasil superou a desconfiança da torcida pelo mau começo nas Eliminatórias para a Copa de 2018, na Rússia. Além disso, passou por outros testes, como superar o Equador na altitude de Quito e vencer a Argentina no Mineirão. Nesta quinta-feira, às 20h, o time do técnico Tite já faz as contas para se classificar ao Mundial, porém terá pela frente outro obstáculo, desta vez com grau de dificuldade maior: o Uruguai, em Montevidéu. O adversário é vice-líder e dono da melhor campanha como mandante da competição.

Em seis jogos no Centenário pelas Eliminatórias, o Uruguai ganhou todos e fez 12 gols. O estádio mais uma vez estará lotado (46 mil ingressos já vendidos) para ajudar a equipe a manter a longa invencibilidade em casa. São 25 partidas sem perder, entre compromissos oficiais e amistosos. A última derrota foi em 2009, ao amargar 1 a 0 para a Argentina durante a disputa por vaga no Mundial de 2010. Para completar, estará em campo o artilheiro das Eliminatórias, Cavani, com oito gols.

O teor de dificuldade diante do vice-líder e dono de grande campanha como mandante aumenta para a seleção brasileira por causa da ansiedade natural de se chegar ao objetivo. Nas cinco edições anteriores de Eliminatórias disputadas no formato atual, quem se classificou para a Copa de forma direta, sem repescagem, atingiu aproveitamento de 53%, o que equivale a 28 pontos, um a mais da soma obtida pelo time de Tite.

“Estamos trabalhando para jogar a Copa. Isso é o objetivo, o nosso grande foco desde quando começamos. Sabemos que será um jogo difícil, mas é a realidade das Eliminatórias. Estamos perto da vaga”, afirmou o volante Paulinho. A situação do Brasil é tão confortável a seis rodadas do fim do torneio porque nos seis jogos anteriores foram só vitórias – 18 pontos.

Mesmo com essas condições, a seleção não consegue se garantir matematicamente na Rússia nesta rodada. A vaga pode ser confirmada na terça, contra o Paraguai, apenas se outros resultados das Eliminatórias colaborarem, como tropeços nessas duas rodadas de Argentina e Colômbia, por exemplo.

Ainda assim, encontrar o Uruguai também é a chance de abrir vantagem para o vice-líder. A diferença é de quatro pontos (27 contra 23), condição que possibilita manter a ponta mesmo em caso de derrota ou considerar o empate um bom resultado. Alguns jogadores ressaltaram o quanto não perder em Montevidéu hoje será valioso para somar, talvez, o ponto que falte para chegar à Rússia.

Tite comandou ontem o último trabalho da equipe, no fim da tarde, já no estádio Centenário. O treino confirmou a entrada de Firmino no ataque na vaga de Gabriel Jesus, machucado. No restante, a formação será a mesma da utilizada nas partidas anteriores. No trabalho tático, a seleção brasileira ensaiou jogadas de bola parada.

O Uruguai também não vai contar com seu principal atacante. Luis Suárez, suspenso por dois cartões amarelos, não poderá enfrentar o Brasil, do amigo Neymar. O substituto escolhido será Diego Rolan.

FIRMINO

Uma das principais funções do time brasileiro vai recair nas costas de Roberto Firmino, um jogador pouco conhecido da torcida e, ao mesmo tempo, bastante regular na listas dos últimos treinadores. O atacante soma 19 convocações em pouco mais de dois anos, oportunidades úteis para fazer esse alagoano de 26 anos ficar mais conhecido do brasileiro.

Firmino será o substituto de Gabriel Jesus, machucado com uma fratura no pé direito e autor de cinco gols nas últimas seis rodadas das Eliminatórias. No esquema tático 4-1-4-1 utilizado por Tite, e que será mantido contra o Uruguai, Firmino terá o papel de atuar mais avançado, para dar trabalho à marcação rival. Pesou para a escolha de Tite, além da qualidade e presença constante na seleção, a força física do atacante.

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Tabárez escolhe substitutos de Suárez e Muslera

Martín Silva, goleiro do Vasco, e Diego Rolán, do Bordeaux, entram na Celeste

Ciro Campos, enviado especial a Montevidéu, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 07h00

Dois nomes da escalação do Uruguai para enfrentar o Brasil em Montevidéu não são os ideais dentro das escolhas do técnico Oscar Tabárez. O vice-líder das Eliminatórias vai receber o primeiro colocado sem poder contar com o goleiro Fernando Muslera e, principalmente, desfalcado do atacante Luis Suárez, amigo de Neymar no Barcelona – ambos estão suspensos por terem levado o segundo cartão amarelo.

Muslera e Suárez, no entanto, estão concentrados com o grupo para poder atuar na rodada seguinte, contra o Peru, em Lima. O técnico escolheu o goleiro do Vasco, Martín Silva, como o substituto. Para repor a difícil perda do principal atacante, a aposta será em Diego Rolán, de 23 anos, do Bordeaux, da França. Outra baixa sentida é a do lateral Alvaro Pereira, ex-São Paulo. Machucado, ele dará lugar a Gaston Silva.

“Neste tipo de competição, como é a Eliminatória, somar pontos sempre é importante. Sabemos que jogamos em casa e vamos nos esforçar para que possamos alcançar nosso primeiro objetivo, que é ganhar”, comentou o atacante Cavani, que joga no Paris Saint-Germain. Se superar o Brasil, a equipe diminuirá a diferença entre os rivais para apenas um ponto.

SOSSEGO

A campanha tranquila de vice-líder das Eliminatórias para a Copa da Rússia é uma situação rara para o Uruguai. O país bicampeão mundial teve de disputar a repescagem intercontinental antes das quatro últimas Copas. Por ter terminado na classificação final no quinto lugar em todas essa edições, foi preciso fazer duelos de dia ida e volta com a Austrália (2002 e 2006), Costa Rica (2010) e Jordânia (2014). A única eliminação foi diante dos australianos, em 2006, nos pênaltis. 

A equipe dirigida por Tabárez também começou a preparação para os compromissos das Eliminatórias na última segunda-feira. Os treinos foram no complexo da Associação Uruguaia de Futebol (AUF). A seleção fez atividades no centro de treinamento. A última delas, ontem, não teve presença de jornalistas do país e estrangeiros.

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