Nilton Fukuda / Estadão
Nilton Fukuda / Estadão

‘Usamos experiências do exterior e adaptamos’, diz presidente da FPF sobre volta do Paulista

Reinaldo Carneiro Bastos afirma que protocolos para retomada do Estadual foram inspirados nos modelos alemão, espanhol, inglês e americano

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2020 | 08h00

Após quatro meses de paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus, o Campeonato Paulista volta a ser disputado nesta quarta-feira. Os clubes terão de seguir uma série de regras, que inclui isolamento, testes rotineiros para detectar jogadores infectados e até restrição no número de pessoas que poderão entrar nos estádios. As partidas serão disputadas sem torcedores e em municípios que a situação da pandemia estiver controlada. Por isso, apenas a Grande São Paulo e Santos receberão jogos. Os protocolos definidos pela Federação Paulista de Futebol foram inspirados nos modelos alemão, espanhol, inglês e americano, segundo o presidente da entidade, Reinaldo Carneiro Bastos.

Qual é o sentimento do senhor com a retomada do Campeonato Paulista em meio à pandemia?

É uma mistura de alívio, preocupação e tensão, mas estou otimista. O trabalho desenvolvido pela comissão médica da federação, os médicos dos clubes e os executivos nos dá condição de sermos otimistas. Estamos vivendo um momento muito difícil, não só no futebol, mas no mundo de uma maneira geral. Mas, fizemos um trabalho correto e coerente.

Qual é o principal foco de preocupação? Onde estão os maiores riscos?

Não queremos que haja relaxamento nos procedimentos. Em todos os itens, como isolamento, quantidade de testes, número de pessoas nos estádios, todas as providências precisam ser seguidas à risca para que a gente tenha sucesso até o fim do campeonato.

No Rio, o Campeonato Carioca já foi encerrado. Em outros Estados, o futebol já voltou também. O senhor teme que os times de São Paulo fiquem para trás no Campeonato Brasileiro?

O Brasil é um país com dimensões continentais. Cada Estado e município, até por uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), tem autonomia para tomar as suas decisões. Sabíamos, desde o início, que teríamos dificuldades, mas caminhamos com segurança. Poderíamos ter retomado o campeonato antes? Talvez sim, talvez não. Mas, o importante é que conseguimos 30 dias para que os atletas fossem testados e realizassem exames médicos, avaliações físicas e treinos até a primeira partida. Só o futuro vai dizer se a gente está atrasado ou adiantado. Se o campeonato terminar como a gente planejou, terei a convicção de que voltarmos na hora certa.

Por qual razão o senhor considera a volta do Campeonato Paulista como o projeto mais audacioso do País? Não há riscos para os atletas?

Os trabalhadores do futebol em São Paulo, todos os envolvidos, não só atletas, mas também comissão técnica, árbitros, gandulas, maqueiros, têm o projeto mais audacioso de saúde e segurança do País. Nenhum outro trabalhador de outra área tem tantos cuidados com saúde e higienização. Tudo isso custa alto, mas todos nós estávamos conscientes de que era o caminho a ser seguido.

Quais foram os modelos seguidos?

O Mauro Silva (ex-jogador, vice-presidente da FPF) trouxe o protocolo do Campeonato Espanhol. O Edu Gaspar (gerente do Arsenal) nos mostrou a experiência da Inglaterra. O Thiago Scuro (diretor executivo do Red Bull Bragantino) fez o mesmo em relação aos protocolos da Alemanha. Também olhamos o modelo dos Estados Unidos, que levou todos os times para um complexo da Disney. Pegamos um pouco de cada coisa. Usamos experiências bem sucedidas do exterior e adaptamos à realidade do Estado de São Paulo.

Os clubes tiveram queda de receita e aumento das despesas com a compra de testes. Como fechar a conta?

A federação está bancando uma parte dos testes e, para as equipes que estão jogando fora de suas localidades como mandante, estamos pagando despesas de transporte e hospedagem. Mas, para outras competições, vamos precisar de diálogo e bom senso. Todos precisarão abrir mão de alguma coisa.

Como ficou o pagamentos das cotas de TV com a paralisação do campeonato?

O pagamento das cotas de TV foi dividido em três partes. A Globo já tinha pago a primeira parte. Na semana passada, quitou a segunda parcela. A última parte será paga uma semana antes do final do Estadual.

No Campeonato Brasileiro, que começa em agosto, São Paulo poderá receber clubes de outros Estados?

Os clubes, quando decidiram pelo retorno do Brasileiro no dia 9 de agosto, aceitaram que os jogos só seriam realizados em locais com autorização das autoridades da área da Saúde. Aqui em São Paulo, se o mandante da partida não puder jogar no seu município, ele vai indicar um local outro local. Isso já acontece no Paulista. Sobre o Brasileiro, não tenho conhecimento sobre a intenção de clubes de outros Estados jogarem aqui em São Paulo. 

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